sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Seu nome, Constantino.


Nunca tínhamos nos visto antes, aliás tínhamos, só não lembrávamos quando e onde. Constantino, era o seu nome. Sentados na grama verde a luz das estrelas, momento e cena aparentemente romântica, e era. Mas não era romantismo entre homem e mulher, era romantismo entre o homem e a natureza, era romantismo entre não ser e poder ser. Era Poesia. Constantino fitava o céu pontilhado por estrelas e não piscava os olhos, em alguns ápices sorria e fechava os mesmos como se ouvisse alguém sussurrar em seus tímpanos, e eu bestificada com a cena. Como de costume pus-me a admirar a minha inconstante lua, que por sinal estava cheia, quando de repente Constantino ergue o braço e aponta para uma estrela que está a esquerda da lua, em menos de um milésimo eu estava a fitar a  estrela que por sinal fazia um belo ímpar de par com minha lua. Constantino então perguntou-me se eu estava vendo um Guerreiro com uma espada de flor nas mãos, suas palavras me surpreenderam e fizeram-me arregalar os olhos ao término de sua fala. Fitei rapidamente os olhos negros de Constantino que mais pareciam perolas e redirecionei o olhar ao céu, estreitei o olhar, mas não conseguia enxergar o tal Guerreiro com uma espada de flor, Constantino insistia para que eu conseguisse ver, mas eu tentava, tentava e nada. Então Constantino aproximou-se um pouco, e explanou '' Não consegues ver com os olhos absolutos, mas podes ver com olhos abstratos'', tapou-me os olhos com as suas mãos hostis e ao mesmo tempo agradáveis, pediu para que eu imaginasse um Guerreiro com uma espada de flor nas mãos, então fiz o que me pedirá e me destapou os  olhos, os abri então veio-me o espanto, eu estava vendo  o Guerreiro nos céus, não somente ele, mas todo uma cenário. Eu estava tão bestificada que minhas palavras se tornaram mudas, e meus olhos gritavam luzes como rubis no céu. Constantino em um murmurio disse: ''Conseguistes ver com os olhos da imaginação, mas não foram somente eles que fizeram enxergar o que não se pode ver, mas o seu poder de querer , tudo pode a um coração que crê.'' Constantino era maluco. E eu gostava disso, dessa maneira lunática e poética de ser. Começamos a partilhar muitos pensamentos juntos, e eu coloquei as abertas toda uma imaginação velha que a tempos guardava nas gavetas do medo. Olhávamos para o céu e construíamos estórias, dançamos e balbuciamos nas encostas da imaginação. Constantino era tão simples que eu dividiria toda uma vida com ele e quem sabe até umas eternidades, que por sinal eu estava a viver uma eternidade com ele, pois os momentos que tivemos não poderiam caber em uma vida, mas em várias eternidades. Dear.
[t.s]