segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

indefinitivamente


Enlaçou meus lábios
e depois nunca mais apareceu

deixei o fungo da paixão
criar raízes no coração
que logo fez minha cabeça

avanços que nem me dei conta
começou sútil e sorrateiramente
avançou pela epiderme e logo
já estava a duas camadas a menos
de distancia da minha corrente sanguínea

não esperava ser contaminada
sem pretensão
sem planejar

mas porque não me precavi
parece que eu queria ficar doente
e fiquei

preparada estava
para as doses de morfina e penicilina 
que você cuspira em minha cara 
pelas dores que tu mesmo causastes  

doses de utopia fajuta 
nas quais tu era o meu ator preferido
interpretava tão bem
que até mesmo 
quando era tu o meu ventríloquo 
conseguistes me enganar

enlaçou meus lábios 
e nunca mais pareceu

[t.s]

domingo, 16 de dezembro de 2012



De uns tempos para cá, não estou mais preocupando-me com o que irá acontecer; ou planejando como irá acontecer. Fazemos a escolha de idealizar e ''planejar'' as coisas que queremos na vida, mas sempre, contraditoriamente, não acontecem como previsto, então nos frustramos e ficamos rancorosos, colocamos a culpa no que não tem culpa e assim vivendo se inúmeras auto-punições. Às vezes a melhor escolha é escolha nenhuma, sei que não é tão fácil assim, como dizem '' Na prática a teoria é outra'', mas, não custa nada tentarmos.  Não existe regras ou manual de instruções, somos as próprias regras. Deixar as coisas acontecerem pode ser a melhor opção, se já não é a melhor. Sonhar é importante, nos faz ter esperanças e ânimo para conquistar. Talvez seja assim no amor. Eu não sei. Temos um terrível hábito de nos esforçamos para que os outros vejam os nossos esforços, o quanto estamos lutando para que algo dê certo, queremos que nos enxerguem, mas esquecemos que ninguém pode nos enxergar pelos nossos olhos, mas que cada um tem que enxergar pelos seus. E, se não enxergam, não devemos nos sufocar por isso. Fazemos o que acreditamos que é certo, fazemos até o que está fora do nosso alcance, mas que felizmente os nossos olhos alcançam antes dos nossos braços. Enxergamos. Já não é mais responsabilidade nossa se o outro não enxerga, afinal, não vivemos em função de ninguém, vivemos em função de nós, em função da vida; do viver.
Por isso deixar as coisas fluírem pode ser a melhor escolha, sem planejar, sem idealizar, somente viver. Deixar a vida estar em você. É tão mais saudável preocupar-se com os dias, se haverá sol logo de amanhã, certamente que sim. Mas, será que estará debruçado à janela para contempla-lo? ou, se aos domingos haverá almoço em família para aquelas conversas de sempre, mas que você sorri de satisfação só por estar todos juntos? se o sábado será chuvoso, só para assistir aquele filme de fim de tarde, ou se será ensolarado, para dar aquele passeio no parque e ouvir o burburinho dos pássaros, ou melhor, sair com alguém especial só para poder sorrir antes de dormir, ou dormir sorrindo. Há tanto com o que se preocupar, preocupe-se com a vida e a forma como irá contempla-la. Preocupar-se somente não, viva. Uma vez me disseram que ''As coisas costumam acontecer para os distraídos.'' Se distraía, de divirta. 

[t.s]

sábado, 15 de dezembro de 2012

Você me kiss

Olhos negros
traços
que parecem ser esculpidos
pela mão divina
mas pensando bem
que mal tem
se foram mesmo esculpidos

desenho feito
difícil de ser desfeito
e esse pedaço
que só de olhar
me desfaço
um pequeno pedaço

que lábios são estes?
que tanto me aguçam
 fazem estremer

os beijos trocados
de nossos olhares
não conheço um beijo tão bom
quanto o do teu olhar

[t.s]

Sabe(dor)ia


Aprender com as dores da vida, é como ver um amigo cair de bicicleta por estar em alta velocidade; Então você aprende que se correr demais irá cair, mas nada se compara ao aprendizado dos seus próprios machucados.
 [t.s]

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Dia


num dia brilho 
noutro apago
num dia grito
noutro calo

num dia riso
noutro um choro

num dia sorriso
noutro tristeza

num dia calor
noutro frieza

num dia amor
noutro nem tanto
...

[t.s]

Fotografias na instante


Suas fotografias
minhas fotografias
nossas fotografias

No quintal da lembrança
os acontecimentos correm
como crianças chafurdando na terra

Expressão congelada em papel
que um dia trouxe sorriso
hoje trás saudade

Sorriso de 1999
hoje não é mais o mesmo
cabelo ondulado 
criatura pequena 
 indefesa

Pai e mãe 
a segura-la pelo braço
bicicleta de rodinhas 

A vaga lembrança da praça 
ainda é contante

Hoje passo por ela
que só me trás  saudade.

[t.m]


Os Milésimos


Me faço
e desfaço
nas linhas do tempo

A cada milésio
uma mudança
e muda o que é latente

mudanças
momentos
lembranças

A cada milésimo uma mudança
e não sou mais aquela
de dois segundos atrás

[t.s]

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Declaração de um olhar.


E ele gritava e dizia eufórico que não me amava mais, o pranto oscilando em sua face, dizia que não me queria, e que tínhamos que tomar rumos diferentes, porque, para ele tudo já havia se findado e, olhando em seus olhos com repentinos lampejos eu via que todas aquelas palavras eram falsas, quanto mais dizia que não me amava, seus olhos diziam o contrário, diziam que me amava cada vez mais; E eu, que não conseguia dizer nada, ouvia-o atentamente, pois eu adorava ouvir o sussurrar de seu olhar contradizendo suas palavras, aquele olhar se declarava a mim.

Sua boca fala coisas, mas seus olhos mostram a verdade...

[t.s]

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A menina do cabelo azul.


Garota meio crédula
até demais
acreditava que existia um outro mundo
um paralelo
 diferente do que vivia realmente
todos os dias olhava o céu,
na sacada de sua casa,
-uma bela vista por sinal-
ela contava estrelas
contornava a lua com as pontas dos dedos
e sempre dava um suspiro longo
quando percebia 
que já havia perdido as contas
 de quantas estrelas havia na imensidão do céu
Sonhava com o dia que conheceria o segundo mundo
na imaginação, tudo lá eram de diferentes cores
as casas eram listradas
 haviam muitas pessoas com cabelos diferentes
cada uma com a sua cor preferida
 ela por ventura já havia colorido os seus
seus fios azulados à deixavam mais diferente
 do que já era de costume 
Um dia perguntaram: O que quer ser quando crescer?
Disse confiante:
Quero ser presidente do Segundo mundo 
quero cuidar das pessoas de lá, 
quero ensina-las muitas coisas e aprender com elas.
O sonho da pequena era grande, e a sua imaginação a tornava maior ainda 
 o amor, sabia que estava mais próxima dele
Nunca deixava de contornar a lua cheia
e sempre fazia uma curva de sorriso no centro da mesma,
a menina dizia que gostava de fazer a lua sorrir.

SALES, tamires.