5:00 da manhã. O sol ainda não aparecera -céu pincelado com um azul marinho embriagante-. A estação de trem estava pouco movimentada, as pessoas provavelmente começariam a chegar por volta das 6:30. Sentada no banco de madeira, esperei pacientemente pelo trem, retirei o livro que lia pela terceira vez. 5:40 da manhã, o sol estava invadindo o azul-marinho, a fusão de cores era incrivelmente surpreendente, meus olhos mal podiam crer, me senti privilegiada, arte literal, natural; Van gogh que me desculpe, nenhum quadro seu foi tão fascinante quanto a aquele nascer do sol - passado alguns minutos-, eu já ouvia o trem se aproximar, a chaminé o tremor do trilhos. Ao redor haviam pessoas bocejando, algumas com café expresso. Estavam de pé, mas seu semblante parecia dormir. A estação ganhou uma movimentação assustadora, haviam pessoas por todos os lados, barulho de gente falando ao mesmo tempo. Entrei no vagão, sentei ao lado da janela, era lindo ver o verde, os ipês-amarelos. Pessoas entravam a todo momento, os acentos estavam todos preenchidos - sinal, aviso de partida-. Sinto me impulsionar levemente para frente com a saída do trem, olhando pela janela vejo toda a vegetação, as nuvens. Coloco o livro sobre a mesinha a frente. Faço anotações. Não via a hora de chegar ao meu destino. O trem parou umas 2 estações: a terceira era a minha, -última parada-, ouvi. Pego minhas coisas e me posiciono para sair. Caminho alguns minutos até chegar na escolinha do pequeno vilarejo de Vila nova, habitavam ali umas 250 pessoas. A maioria adulta, que mal sabia escrever o primeiro nome. Você deve se perguntar '' de onde conheceu esse lugar?'' e, '' o que faz?''. Tudo começou quando recebi um pedido inesperado e inusitado. Estava eu na colégio de minha cidade San Gonçalo, quando me aparece um garotinho de 7 anos. No pátio da escola o menino estava com sua mãe, notava-se a simplicidade dos dois, de chinelinho, com uma roupa amassadinha e desbotada, o pequeno observava a interação dos alunos na aula de Artes, na qual era realizada todas as quartas-feiras no pátio. Alunos corriam, pintavam, desenhavam, e riam.O menino, no entanto, calado olhava tudo, seus olhos pareciam até brilhar de fascinação. Confesso, a carinha dele me chamou muita atenção, mas, continuei com os alunos, até que, distraída sinto algo me tocar a costela. Me viro abruptamente, para minha surpresa, era ele. -Olá. disse ele sorrindo. -Olá!. retribuo com surpresa. -O que deseja? pergunto. - Eu posso pintar?. -Ah, claro que sim! Gosta de pintar? pergunto. - Gosto. diz com um sorriso que ia de orelha a orelha. -Tome, aqui está uma folha, as tintas estão sobre a mesa, assim como o pinceis. -Como você se chama? pergunto. -Emanuel. Diz, já sentado na mesinha com a folha e os pinceis na mão. -Muito prazer Emanuel. Me chamo Elisa: ele sorri. Passados alguns minutos, a mãe de Emanuel, corre até o menino. -O que está fazendo? pergunta como se ele estivesse fazendo algo de errado. -Estou pintando, disse ele, com os olhos estreitos de medo. -Pare já com isso, se você quebra algo, como iremos pagar...Vejo a movimentação, me aproximo deles. -Olá, algo de errado? pergunto solene. -Ainda bem que não, desculpe professora, ele é incontrolável. Diz segurando-o pelo braço. -Fique tranquila, eu permiti. -Viu mãe! Ela deixou. diz Emanuel assentindo de satisfação -Vamos já está tarde, só Deus sabe que horas chegaremos em casa, se perdermos o trem onde ficaremos?! Vamos Emanuel!disse a mãe, puxando o garoto que se agarrava à folha suja de tinta. - Esperem! digo. Onde moram? posso leva-los para casa, já vai dar o horário de dispensar as crianças...-Não se preocupe professora, diz a mãe. Moramos bem longe não há estradas de acesso, só de trem mesmo. -Me digam, onde moram, exatamente? pergunto insistindo. A mãe do garoto suspira. -Olha, obrigada pela cortesia, mas temos que ir. Noto que eu ela uma certa dificuldade em pronunciar a palavra ''cortesia'', e um ceto constrangimento por parte dela. O sol já preparava-se para se pôr, estava ficando tarde. A preocupação da mãe de Emanuel com a hora de chegar em casa era explicita. -Temos que ir! tchau, desculpe por ele -gesticula-. Saindo em passos largos com aparente pressa. Em minha casa passei boa parte da noite pensando no menino e sua mãe. Na manhã seguinte, pergunto a diretora do colégio se ela sabia algo sobre Emanuel e sua família, fico perplexa com as informações, Emanuel não estudava, por falta de escolas no vilarejo, o difícil acesso ao local fazia com que professores que eram chamados para ir prestar assistência desistissem. Haviam cerca de 70 crianças sem acesso ao ensino. Achei um absurdo. Conversei com a diretora da escola, e disse a ela que eu me candidatava para alfabetizar aquelas crianças, e quem quisesse, eu só não podia ficar de braços cruzados. A diretora não me deu créditos de imediato.-Você tem certeza?, disse ela. -Porque não? digo. -Você sabe quantos professores eu já mandei para lá, e todos desistiram?.- Não importa, eu quero ajudar aquelas pessoas. -É um longo trajeto, terá que acordar cedinho para poder chegar até lá. Será que aguenta o cansaço? -Eu sei. Mas quero tentar, me permita isso, por favor. -Tudo bem, diz ela, depois de um longo suspiro. Já fazem dois anos que estou indo todos os dias ao vilarejo de Vila nova, nunca me senti tão realizada e satisfeita. Nunca esquecerei tamanha felicidade dos habitantes daquele lugar, principalmente das crianças, será impossível tirar o sorriso escancarado do Emanuel quando dei a noticia de que ia ser professora dele, e das outras crianças: as mãos sujas de tinta, o empenho, a felicidade. No início foi difícil, árduo, muitos chegaram a duvidar que eu fosse ficar mais de uma semana lá, e já passaram-se dois anos, continuo firme. Me dedicar a formação dos adultos e principalmente das crianças foi umas das melhores coisas que fiz, muitos professores ficam na sua zona de conforto, como educadores deveriam se compadecer disso, democratizar o ensino, levar conhecimento, esperança para quem já as perdeu. Emanuel obtêm um talento para a pintura surpreendente, já fez pinturas minhas, dezenas de vezes e, sempre faz uma pequena dedicatória que faz-me os olhos enxerem d'água : ''Para a professora fada-amadrinha mais especial do mundo, obrigado por estar aqui todos os dias, eu te amo, Emanuel.''
Alforria
Sentindo-se só, a solidão convida à dançar.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
quarta-feira, 5 de março de 2014
Aquecimento interno.
Está nos noticiários
de TV. Está nos jornais, está nas revistas, está nas propagandas de
conscientização: O aquecimento global, o efeito estufa, o derretimento das
geleiras nos grandes pólos. Estamos em meio a um desastre natural. Fato. Mas não cai a ficha! Tudo porque a humanidade está sofrendo do mesmo mal, sim. Pessoas estão com aquecimento global em si
mesmas, estão em tamanho processo de deterioração que não percebem. Aquecimento
da apatia, derretimento das geleiras do bom senso, da gentileza, o efeito
estufa causado pelos ‘’gases’’ de infelicidade e apatia que são exalados
diariamente. A não preservação do bem comum, e as queimadas da humildade
transformadas por cinzas de ganância, deixando a paisagem horrenda. A cobiça.
Derrubam árvores. Derrubam-lhes o melhor de si, desmatamento ilegal
do que há de bom nas pessoas. Pobres! Arrancam-lhe o seu melhor, e nem se quer
podem fazer algo para impedir, por serem subordinadas; Aquelas cujo direito
foi lhes roubado da terra invadida, resta a esperança fragilizada, de que uma
muda cresça, floresça. Mas o mundo arranca árvores demais, e não planta. O
cultivo fica a critério dos que ainda acreditam em um amanhã melhor. Filhos de
Deus.
Filhos do amor.
Sofremos do mesmo mal. Estamos em aquecimento global.
sábado, nove de novembro de dois mil e treze.
SALLES, tamires
sábado, 18 de janeiro de 2014
Tu me és, te sou.
Mais um dia cansativo no Jornal da cidade e eu voltava as pressas para casa. Um fim de tarde de outono. Ventos gélidos que balbuciavam no corpo causando calafrios. Caminhando as pressas para poder alongar as horas e chegar em casa, preparar o jantar e dormir cedo. Fazendo meu trajeto rápido e a desviar das pessoas, ouço uma voz suave e tranquilizadora, um canto perdido no ar, fazendo-me automaticamente caminhar devagar, tão devagar que esqueci do porquê de estar as pressas. Fui tentando localizar de onde vinha aquela canção, muitas pessoas estavam ao meu redor e à minha frente. Centro da Cidade, horário de voltar para casa e esperar por mais um dia corrido. Fui procurando-o, -estiquei o pescoço- e enfim encontrei o dono dos acordes e da voz que tinha tom de algodão. Um violão surrado, casaco preto um suéter quadriculado por baixo, cachecol que abraçava e protegia sua epiderme do frio. Seus traços eram fortes, tinha um barba rala, olhos cor de mel e o cabelo castanho médio. Me aproximei -não muito-. Fiquei observando-o tocar e cantar, ele segurava seu violão com tanta delicadeza, parecia que cada acorde era um verso de poesia que era recitada pelos seus dedos hostis. Algumas pessoas colocavam moedas na caixa do violão e ele agradecia com um sorriso entre o canto. Eram sorrisos de gratidão e isso era explicito no lampejo de seu olhar. Algumas pessoas cantarolavam com ele, e um clima amistoso pairava naquele momento. Me aproximei e arisquei tentar acompanhar com a voz baixa. Até que seu canto fora se findando aos poucos, já era hora de ir embora. Todos o aplaudira inclusive eu; Ele fazia gestos de agradecimento e apertava a mãos de alguns apreciadores daquele canto que tranquilizava pelo menos uma pequena parte daquela tarde eufórica e corrida. Ele se despedira das pessoas agradecia pelas moedas e algumas notas de reais. Todos foram saindo até não ter mais ninguém ao seu redor, mas eu ainda continuava lá, e não sabia o porquê. De alguma forma me entristeci por ter acabado, aquele canto me cativou e eu o ouviria por noites e dias. Foi então que o estranho notou que, eu era a unica que restava no fim de seu espetáculo simples das ruas. Ele me olhou e deu um sorriso minucioso que me deixou desconcertada, senti minhas bochechas esquentarem e corar, -desejei não estar ali naquele momento-, mas retribui o sorriso de canto acanhada, ele então se aproximou um pouco e tirou não sei de onde uma flor, e a estendeu para me entregar. Aquele gesto me surpreendeu, meio sem jeito eu peguei a flor e agradeci gentilmente envergonhada. Então eu disse a ele com um tom gracioso de que, ele era muito talentoso e que suas canções tinham gosto de algodão doce. Ele deu um riso leve e agradeceu. Já estava escurecendo, as nuvens já estavam a se ponderar e o pôr do sol já estava se realizando por entre os prédios do Centro da cidade. Ele então perguntou-me qual era meu nome eu respondi, e assim fiz o mesmo perguntei-lhe o nome e ele me respondera. Nos cumprimentamos com aperto de mãos e sorrimos gentilmente. Foi então que me deu conta da hora, já estava ficando tarde e eu tinha de ir para casa, foi então que a pressa tomou conta de mim novamente. Olhei para o relógio com ar de preocupada . Ele sorriu e disse que tinha que ir embora, eu lhe disse o mesmo, apertamos as mãos mais uma vez e nos despedimos. Ele pegou seu violão já guardado e foi se distanciando vagarosamente, até que eu gritei não muito alto, perguntando se eu o veria no dia seguinte tocando novamente; Ele então sorriu de longe e disse que ''Sim'' . Eu sorri tranquila com a flor que ele me dera. No outro dia o mesmo fim de tarde, e sua canção pairava no ar trazendo com si uma tranquilidade que parecia magica, não me importei de ficar lá até ele ir embora novamente, havia algo na sua voz , na intensidade de suas palavras, os acordes me deixavam desconcertadamente concertada. E os sorrisos e rápidos apertos de mãos se prolongavam por muitas tardes. Até que um dia ele me convidara a ir à um café, que se encontrava não muito distante de nós, eu aceitei o convite e fomos até lá. Ele era muito gentil e atencioso, a forma que falava era metodicamente encantadora e eu de uma forma estranha gostava daquilo. Entramos na cafeteria, sentamos e iniciamos uma conversa amistosa. Então o perguntei o que ele fazia, ele disse que era compositor e que trabalhava em um estúdio musical. Eu me espantei, e me fiz uma alto pergunta em pensamento, ''se ele trabalha em um estúdio porquê toca no centro da cidades por moedas?'', foi então que meu pensamento foi interrompido pelo riso e um sorriso pretensioso dele. Ele então disse: '' Você deve estar se perguntando o porquê deu estar todas as tardes no centro da cidade. Não é?'' Eu dei um sorriso apertado e desajeitado e disse: '' Pois é, eu queria entender, me desculpe'', e sorri apertado. Ele: ''Eu não faço isso por mim, na verdade faço isso para ajudar outras pessoas.'' Eu ainda não havia entendido. Eu: ''Ajudar outras pessoas?'' , Ele: ''Exatamente, eu ajudo umas crianças de um hospital do centro da cidade, tratam de crianças especiais e com doenças que as privam de ter uma vida ''social'' com outras. O dinheiro do estúdio não ajuda muito, então como amo o que faço decidi conseguir dinheiro tocando no centro da cidade.'' Fiquei inerte, me perguntei de onde havia saído aquele homem, eu devia estar sonhando e prestes a acordar, mas o despertador não tocou, e ele realmente existia. E sua intenção era mais verdadeira ainda. Prolongamos o assunto conversamos por algumas horas, rimos, trocamos informações e aprendizados. Ele era impressionante, me fazia se sentir em paz, como se aquele momento girasse em sintonia com tudo que há de belo no mundo. Ele apreciava tudo, e era admirador da arte tanto concreta quanto abstrata, era alucinantemente apaixonante pela forma que via o mundo. Não é difícil se apaixonar por um homem que nota as coisas e que ainda sente elas. Eu pela primeira vez havia reacendido uma luz no coração que a tempos estava apagada, por nunca ter tido motivos para acende-la. Eu acordava com vontade da tarde, só para poder ouvir sua voz dançar nas curvas do vento e me sentir em paz.
22:41 , 26 de janeiro de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Seu nome, Constantino.
Nunca tínhamos nos visto antes, aliás tínhamos, só não lembrávamos quando e onde. Constantino, era o seu nome. Sentados na grama verde a luz das estrelas, momento e cena aparentemente romântica, e era. Mas não era romantismo entre homem e mulher, era romantismo entre o homem e a natureza, era romantismo entre não ser e poder ser. Era Poesia. Constantino fitava o céu pontilhado por estrelas e não piscava os olhos, em alguns ápices sorria e fechava os mesmos como se ouvisse alguém sussurrar em seus tímpanos, e eu bestificada com a cena. Como de costume pus-me a admirar a minha inconstante lua, que por sinal estava cheia, quando de repente Constantino ergue o braço e aponta para uma estrela que está a esquerda da lua, em menos de um milésimo eu estava a fitar a estrela que por sinal fazia um belo ímpar de par com minha lua. Constantino então perguntou-me se eu estava vendo um Guerreiro com uma espada de flor nas mãos, suas palavras me surpreenderam e fizeram-me arregalar os olhos ao término de sua fala. Fitei rapidamente os olhos negros de Constantino que mais pareciam perolas e redirecionei o olhar ao céu, estreitei o olhar, mas não conseguia enxergar o tal Guerreiro com uma espada de flor, Constantino insistia para que eu conseguisse ver, mas eu tentava, tentava e nada. Então Constantino aproximou-se um pouco, e explanou '' Não consegues ver com os olhos absolutos, mas podes ver com olhos abstratos'', tapou-me os olhos com as suas mãos hostis e ao mesmo tempo agradáveis, pediu para que eu imaginasse um Guerreiro com uma espada de flor nas mãos, então fiz o que me pedirá e me destapou os olhos, os abri então veio-me o espanto, eu estava vendo o Guerreiro nos céus, não somente ele, mas todo uma cenário. Eu estava tão bestificada que minhas palavras se tornaram mudas, e meus olhos gritavam luzes como rubis no céu. Constantino em um murmurio disse: ''Conseguistes ver com os olhos da imaginação, mas não foram somente eles que fizeram enxergar o que não se pode ver, mas o seu poder de querer , tudo pode a um coração que crê.'' Constantino era maluco. E eu gostava disso, dessa maneira lunática e poética de ser. Começamos a partilhar muitos pensamentos juntos, e eu coloquei as abertas toda uma imaginação velha que a tempos guardava nas gavetas do medo. Olhávamos para o céu e construíamos estórias, dançamos e balbuciamos nas encostas da imaginação. Constantino era tão simples que eu dividiria toda uma vida com ele e quem sabe até umas eternidades, que por sinal eu estava a viver uma eternidade com ele, pois os momentos que tivemos não poderiam caber em uma vida, mas em várias eternidades. Dear.
[t.s]
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
indefinitivamente
Enlaçou meus lábios
e depois nunca mais apareceu
deixei o fungo da paixão
criar raízes no coração
que logo fez minha cabeça
avanços que nem me dei conta
começou sútil e sorrateiramente
avançou pela epiderme e logo
já estava a duas camadas a menos
de distancia da minha corrente sanguínea
não esperava ser contaminada
sem pretensão
sem planejar
mas porque não me precavi
parece que eu queria ficar doente
parece que eu queria ficar doente
e fiquei
preparada estava
para as doses de morfina e penicilina
que você cuspira em minha cara
pelas dores que tu mesmo causastes
doses de utopia fajuta
nas quais tu era o meu ator preferido
interpretava tão bem
que até mesmo
quando era tu o meu ventríloquo
conseguistes me enganar
enlaçou meus lábios
e nunca mais pareceu
[t.s]
domingo, 16 de dezembro de 2012
De uns tempos para cá, não estou mais preocupando-me com o que irá acontecer; ou planejando como irá acontecer. Fazemos a escolha de idealizar e ''planejar'' as coisas que queremos na vida, mas sempre, contraditoriamente, não acontecem como previsto, então nos frustramos e ficamos rancorosos, colocamos a culpa no que não tem culpa e assim vivendo se inúmeras auto-punições. Às vezes a melhor escolha é escolha nenhuma, sei que não é tão fácil assim, como dizem '' Na prática a teoria é outra'', mas, não custa nada tentarmos. Não existe regras ou manual de instruções, somos as próprias regras. Deixar as coisas acontecerem pode ser a melhor opção, se já não é a melhor. Sonhar é importante, nos faz ter esperanças e ânimo para conquistar. Talvez seja assim no amor. Eu não sei. Temos um terrível hábito de nos esforçamos para que os outros vejam os nossos esforços, o quanto estamos lutando para que algo dê certo, queremos que nos enxerguem, mas esquecemos que ninguém pode nos enxergar pelos nossos olhos, mas que cada um tem que enxergar pelos seus. E, se não enxergam, não devemos nos sufocar por isso. Fazemos o que acreditamos que é certo, fazemos até o que está fora do nosso alcance, mas que felizmente os nossos olhos alcançam antes dos nossos braços. Enxergamos. Já não é mais responsabilidade nossa se o outro não enxerga, afinal, não vivemos em função de ninguém, vivemos em função de nós, em função da vida; do viver.
Por isso deixar as coisas fluírem pode ser a melhor escolha, sem planejar, sem idealizar, somente viver. Deixar a vida estar em você. É tão mais saudável preocupar-se com os dias, se haverá sol logo de amanhã, certamente que sim. Mas, será que estará debruçado à janela para contempla-lo? ou, se aos domingos haverá almoço em família para aquelas conversas de sempre, mas que você sorri de satisfação só por estar todos juntos? se o sábado será chuvoso, só para assistir aquele filme de fim de tarde, ou se será ensolarado, para dar aquele passeio no parque e ouvir o burburinho dos pássaros, ou melhor, sair com alguém especial só para poder sorrir antes de dormir, ou dormir sorrindo. Há tanto com o que se preocupar, preocupe-se com a vida e a forma como irá contempla-la. Preocupar-se somente não, viva. Uma vez me disseram que ''As coisas costumam acontecer para os distraídos.'' Se distraía, de divirta.
[t.s]
sábado, 15 de dezembro de 2012
Você me kiss
Olhos negros
traços
que parecem ser esculpidos
pela mão divina
mas pensando bem
que mal tem
se foram mesmo esculpidos
desenho feito
difícil de ser desfeito
e esse pedaço
que só de olhar
me desfaço
um pequeno pedaço
que lábios são estes?
que tanto me aguçam
fazem estremer
os beijos trocados
de nossos olhares
não conheço um beijo tão bom
quanto o do teu olhar
[t.s]
traços
que parecem ser esculpidos
pela mão divina
mas pensando bem
que mal tem
se foram mesmo esculpidos
desenho feito
difícil de ser desfeito
e esse pedaço
que só de olhar
me desfaço
um pequeno pedaço
que lábios são estes?
que tanto me aguçam
fazem estremer
os beijos trocados
de nossos olhares
não conheço um beijo tão bom
quanto o do teu olhar
[t.s]
Assinar:
Comentários (Atom)

