Na fazenda da minha antiga cidade, moravam há muitos anos um casal de velhinhos. E sempre que podia os observava. Era solene a forma como os dois se encaixavam. Ela era vendedora de flores e ele um velho agricultor, que nunca havia andado de carro, pois, costumava rotular como ''máquina inútil''. Ele gostava mesmo era de andar de carroça e sentir o galope que dava o cavalo. Todas as manhãs bem cedinho, oravam e agradeciam por mais um café quentinho coado no pano -que mais parecia meia velha-. Eu gostava de observa-los; Transmitiam uma sensação que eu jamais pudera sentir; Marejavam-me os olhos quando despediam-se com um beijo na mão e outro na testa. Aquela velhinha amorosa tinha alma de anjo. Uma vez estava próxima aos dois, e, calada, meio distante, pude ouvir o que conversavam. Ela dizia a ele que, ao anoitecer, não esquecesse de acender o lampião, pois tinhas medo de dormir na escuridão -já que na humilde casa não havia eletricidade. Ele segurava-lhe a mão e dizia: Não esquecerei. Com um tom de voz doce. E o ritual de acender o lampião se estendia por noites e noites. Mas como sabemos, um dia as coisas tomam um rumo que já nascemos predestinados a tê-lo. Ela era frágil e sua saúde já não era a mesma, fraca e sonolenta, já previa a sua partida, então teve aquele triste fim.
Mas partiu como um anjo solene e feliz. Em seus últimos momentos, disse a seu companheiro: Não sei para onde irei. Mas onde quer que eu vá estarei esperando-te também, meu amado... E fechou os olhos. O velhinho não conformava-se de que havia perdido sua preciosa mulher. Todas as noites antes de dormir fazia o havia prometido a sua companheira; Acendia um lampião do lado na cabeceira onde ela dormira antes de morrer, e, ao orar recitava baixinho como se estivesse falando a ela. Dizia: Como sempre prometi a ti minha amada. Aqui está seu lampião aceso, para afastar-lhe a escuridão. Saibas que onde quer que estejas, nunca estarás no escuro, pois todas as manhãs, o sol brilhará, e ao anoitecer o lampião reinará em nosso quarto, para alegrar-te. E não vejo a hora de te encontrar.
...Não faças da noite tristeza, acendas o lampião do teu amor...
(Tamires Salles M.)
...Não faças da noite tristeza, acendas o lampião do teu amor...
(Tamires Salles M.)

Suas palavras são tão transparentes e carregadas de pureza. Só um coração puro pra ter uma inspiração tão bonita dessas. Parabéns encantada!
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