Ela é diferente, tem uma cautela que é de ser invejada, tem olhos pequenos meio arredondados com leves cílios curtos, e uma fluência indescritível, ela fala como se entendesse das coisas, se certa forma entende, mas fala como se soubesse solucionar tudo, mesmo sabendo que muitas vezes não, ela te ouve, e fala bem pouco, gosta de ouvir as pessoas, sente-se útil quando um amigo a chama para desabafar, ela gosta de falar, mas na maioria das vezes só ouve, as vezes ela só te abraça, porquê muitas vezes não são de palavras que se precisa, ela entende seu silêncio e te convida para uma dança só com um olhar, ela gosta de livros e páginas amareladas, tem uma mania de não inclinar muito as páginas do livro para que não fiquem entre-abertos, tem amigos, e sempre aparece alguém para conversar com ela, mas, mesmo quando lhe dão um pouco de atenção, ela tem suas carências, vazios, e uma dose de "está faltando isso na minha vida", ela não sabe bem o que é, na verdade sabe, mas tem receio de pronunciar e pensar sobre, a falta que ela tem á persegue à 17 longas primaveras, e até hoje ela não sabe o porquê disso, já se passaram, se passam tanto tempo e ela não elimina essa "falta", talvez seja porquê ela sempre acreditou nos livros e seus heróis" romantivolucionistas", encontra refúgio nos livros, e é encantador a forma como seus olhos se perdem entre cada parágrafo, e o sorriso frouxo que deixa estampado quando lê, ela não é muito de sorrir, e meu caro se ela sorrir por longos segundos com olhos que te deixam sem jeito, pode ter certeza de que você está no coração dela, ela contém tanta coisa, tanto mistério, tanto afeto, que dizer que ela é diferente não é o suficiente, não que ela seja perfeita, jamais, ela tem uma verdade que poucos conseguem perceber, na verdade poucos se interessam em descobrir, olhar através da sua carcaça de humana, uma tarefa difícil por sinal, por muitas vezes nem ela consegue se olhar através de si mesma, é como se ela fosse o final do Poema de Vinicius de Moraes,
" A mulher que passa
Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça."
Tamires Salles M.
Tamires Salles M.
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