sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O teatro sempre esteve cheio, mas atualmente as pessoas é que estão vazias...


Parada e inerte mantive-se naquele grandioso espetáculo de atores sem expressão, mantive-me quieta pois já bastava as vozes gritantes dos quatro cantos do palco mudo, foi quando levantei-me e olhei para a plateia, cadeiras cheias de lugares vazios, não havia ninguém, e isso já se prolongava a semanas, eu não conseguía esclarecer que mistério era aquele, o porquê daquele teatro vazio, só ouvia-se rumores de que   todos da cidade estavam nos bingos, apostando suas economias nos cassinos daquela deplorável cidade, estavam sendo escravas das próprias futilidades de rotulavam de "liberdade", sentei-me no beiral do palco, os meus colegas de teatro já haviam ido embora, então só restava à mim ficar lá por mais alguns minutos ou horas, olhando aqueles lugares vazios, veio a remota lembrança de quando aquele teatro era requisitado e visitado, esgotavam-se a bilheteria por não ter espaço suficiente para tantos admiradores da Arte cênica, cada lugar que ali estava vazio, já foi ocupado por almas pujantes, e eu ainda podia ouvir as gargalhadas escancaradas que davam, ou até o marejar olhos escondidos no escuro da plateia, cada ser que ali já esteve tinha uma visão diferente do espetáculo que assistia, cada um aprendia um ensinamento, e saiam de lá com a o ser renovado, e essa era a nossa meta, renovar pessoas através da Arte, isso lembra-me de um pequenino que no final do espetáculo avistou-me de longe, e exclamou meu nome com tanta frenesi que espantei-me, ele vinha em minha direção com os braços a se erguer para que eu o pegasse no colo, e foi o que fiz, o levantei e coloquei em meus braços, aquele pequenino não exitou em gesticular tocando em minha testa enquanto dizias : " QUE LEGAL, AQUILO QUE VOCÊ FEZ, EU RI TANTO QUANDO VOCÊ CHAMOU AQUELE MOÇO DE BOBO DOS CABELOS VERDES", eu dei um leve entre-riso, o pequenino abraçou-me tão minunciosamente que senti-me acolhida por um anjo, sua inocência era encantadora, e sua visão também, continuei a segura-lo, ele mexia nos meus cabelos, e tocava em minha orelha, batendo com as ponta de seus dedinhos o meu brinco, perguntei-lhe: " E você pequenino o que queres ser quando crescer?", então ele inclinou bem levemente e abriu um sorriso de canto a canto, encolhendo as mãozinhas entre-o-rosto, e exclamou meio sem jeito:"Quero ser igual vocês", estreitei o olhar e perguntei: Ser igual a nós? como assim? queres ser ator?, e o retribui com um aperto leve em seu pequeno nariz, e o pequenino disse:" Não, vocês fazem as pessoas sorrirem e até chorarem, eu gosto disso, quero fazer isso quando eu crescer, acho tão legal quando vejo as pessoas rirem e chorarem, isso mostra que elas tem sentimentos...", ao ouvir o que ele dissera arregalei os olhos, e me fiz uma auto pergunta," como ele sabia daquelas coisas?", era tão pequenino,e veio-me uma alegria que causou fervor em meu coração, naquele momento senti que valia á pena continuar a fazer o que sempre fiz, o olhar daquele pequenino era nu, não escondias nada, transparente como cristal, então o coloquei no chão pois ele já tinhas que ir embora, ele abraçou-me mais uma vez cuidadosamente, e mais uma vez senti-me acolhida por um anjo, ele afastou-se de mim e acenou contente com as bochechas coradas, acenei de volta e com um largo sorriso no rosto, depois disso muitas pessoas aproximaram-se, elogios, elogios, elogios, e mais elogios, mas nada se comparava ao que aquele pequeno me dissera; Agora aqui estou, sentada sozinha no palco na qual já trouxe-me muitas alegrias, as luzes estão apagadas, e só se tem o clarão no palco vazio, um suspiro profundo tomou conta do meu ser, meu corpo estava cansado, e meus olhos insistiam em se fechar, eu não sabia o porquê de ainda está lá, não havia ninguém além de mim, e provavelmente não apareceria ninguém, o que era cabível naquele momento era ir embora...E fui, mas não para sempre, eu sempre voltaria para aquele teatro, que por mais vazio aparentasse ser, foi onde mais preenchi minha alma, aparentemente vazio, mas só quem viveu lá sabe o quão cheio ele és....

2 comentários:

  1. Venho agradecer seu registo em meu blogue.
    No seu parece não ter seguidores.
    Voltarei sempre que possa para acompanhar
    seu blogue. Se quiser visitar um meu que insiro
    bastante poesia é
    http://sinfoniaesol.wordpress.com
    não aceita seguidores, mas aceita comentários.
    Bj.
    Irene Alves

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    1. Fiquei tão contente ao ler seu comentário, realmente não tenho muitos seguidores(aliás tenho 1 e isso já me alegras bastante), volte sempre que puder querida Irene, alegrou-me muito seu comentário, mais uma vez obrigada!
      Atenciosamente Tamires Salles;

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