E mesmo sabendo que aqueles olhos negros eram incertos insisti em fita-los, consecutivamente. Foi quando os mesmos invadiram meu ser, atravessaram minha pele, minha carne, minha alma, senti raiva de mim por ter permitido que adentrasse, olhar ousado, minucioso e pujante, que elançava-me, e dava-me um nó, estava eu presa naqueles olhos profundos e fundos, olhar cansado que clamava afeto; Por mais que estivesse enfeitiçada por eles, eu não pude me render, eu havia findado um ápice intenso e recente em minha vida, e não podia iniciar outro, meu ser não estava totalmente liberto, pois ainda estava enroscado nos últimos acontecimentos, que só de pensar faz minhas vísceras embrulharem, e um vômito involuntário se iniciar. Dei alguns passos até aquele figura desconhecida, aproximei, cheguei bem perto, e parei a alguns centímetros de distancia, estava eu parada em frente a frente aquele grande ''des-conhecido'', pois eu já o conhecia, mas nunca havia reparado nele, o fitei e inclinei para poder percorrer com os olhos cada milimetro de sua face, o ''des-conhecido'' estava parado fitando-me da mesma forma, parecíamos dois primatas que nunca havia avistado outro ser humano, havia algo que nos manteve sintonizados, quanto mais fitava aquele olhar um labirinto iniciava-se, o fim de tarde frio e com neblinas intensas tomavam conta das ruas vazias, na qual onde só se via os faróis de carros semi-apagados. Aquele olhar me entendia, me gritava, me assolava, me decifrava, deixava-me sem reação, nem minhas pálpebras mexiam-se, minhas pestanas estavam inertes, e eu não conseguia para de fita-lo. Cada milésimo de segundo que se passava eu queria vasculhar mais daquele interior infinito, eu sabia que se adentrasse não poderia haver saída, mas já era tarde, eu estava totalmente entregue, as duas almas, que até então estavam vagando, se encontraram, se encaixaram, se abraçaram, colara-se uma na outra como figurinha em um álbum, sem mencionar sequer um palavra, o des-conhecido, envolveu uma de suas mãos em minha cintura, direcionou-me solenemente para perto dele, os corpos de encontraram, se encaixavam tão bem que pareciam desenhados um paro o outro, com a outra mão colocou uma mexa de meu cabelo atrás de minha orelha, e tocou minuciosamente em meu rosto, e continuou a fitar-me, com um movimento sutil envolvi meus braços envolta do seu pescoço, quando por ímpeto encostamos nossas testas uma na outra, e ele começara a me embalar, um passo pra cá outro para lá, uma dança solene se iniciou, e ainda não entendia o porquê de estarmos dançando, sem sequer ter dito uma só palavra, mas continuei a dançar pois aquela sensação de estar sendo embalada me fazia um ser magnifico; Eu podia ouvir o som de sua respiração ofegante e profunda, soavam como sinfonia aos meus ouvidos, e o cheiro da sua respiração era estonteante, tivemos um roçar de narizes, e um sorriso árduo se formou nos lábios contraídos e provocantes, que me fizera desejar-lhe, a cada segundo que passava estamos mais envolvidos mais sintonizados, e isso fazia-me estremecer, ele puxava me lentamente, que nossas costelas se colidiam, por um ápice eu não queria mais ter que ir embora nunca, ah se aquela dança pudesse se eternizar, não se findasse nunca, eu viveria de eterna solenidade de seria um ser magnifico (...)
Talvez continue...
Tamires Salles M.
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