Quando eu tinha 7 anos eu sofri o meu primeiro ”abandono”, fui esquecida na porta da escola, era o meu primeiro dia de aula, minha 1° série, e já havia sido recepcionada daquela forma, eu era tão pequena, e cheia de medos, todos indo embora com seus pais, outros indo embora com as vans escolares, e eu ainda estava lá, esperando a minha vez de ir embora, minha escola era gigantesca, e eu me tornei tão pequena perto dela, todos os portões fechados, e nem o zelador da escola estava lá para me ”ajudar”, foi então que eu decidi ir embora sozinha, eu não sabia o caminho de casa, e me esforçava para lembrar o trajeto que a minha Van escolar havia feito até a escola, mas eu não conseguia lembrar, me senti tão inútil, eu nunca havia me sentido daquela forma, 7 anos e já se sentir inútil? foi então que eu desisti, e parei no muro alto e rustico da escola, me agachei e fiquei toda encolhida, com os braços envolta dos joelhos, aquela sensação de abandono e medo foi a pior que já tive, eu não poderia recorrer a nada e nem a ninguém, estava eu totalmente dependente de alguém para me livrar daquilo, fiquei esperando alguém aparecer para poder me tirar de lá e me levar para casa, eu só queria minha casa, meus pais, mas ninguém aparecia, e aquele vazio me deixava com mais medo, depois de tanto esperar a ‘tia’ da van aparece toda desesperada, quando eu a vi meu coração até voraz ficou, eu enfim iria voltar para casa, fiquei feliz em vê-la mas ao mesmo tempo fiquei com raiva dela, por ter me feito sentir aquela sensação horrível, foi ai que eu prometi à mim mesma que eu nunca mais permitiria me sentir daquela forma, nunca, jamais, e nunca iria deixar que ninguém me fizesse passar pelo que eu passei ou sentir o que eu senti.
Um dia para não recordar. Tamires Salles
Eu nunce tive essa sensação, acho que pelo fato de eu não ter tido muito tempo pra me acostumar com muito afeto. Mas ao ler seu texto eu consegui sentir o que você sentiu, pelo menos uma amostra, eu entrei na história... Olha o que a pureza da sua escrita consegue atingir hein, o surreal!
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