terça-feira, 23 de outubro de 2012

A pior sensação...

Quando eu tinha 7 anos eu sofri o meu primeiro ”abandono”, fui esquecida na porta da escola, era o meu primeiro dia de aula, minha 1° série, e já havia sido recepcionada daquela forma, eu era tão pequena, e cheia de medos, todos indo embora com seus pais, outros indo embora com as vans escolares, e eu ainda estava lá, esperando a minha vez de ir embora, minha escola era gigantesca, e eu me tornei tão pequena perto dela, todos os portões fechados, e nem o zelador da escola estava lá para me ”ajudar”, foi então que eu decidi ir embora sozinha, eu não sabia o caminho de casa, e me esforçava para lembrar o trajeto que a minha Van escolar havia feito até a escola, mas eu não conseguia lembrar, me senti tão inútil, eu nunca havia me sentido daquela forma, 7 anos e já se sentir inútil? foi então que eu desisti, e parei no muro alto e rustico da escola, me agachei e fiquei toda encolhida, com os braços envolta dos joelhos, aquela sensação de abandono e medo foi a pior que já tive, eu não poderia recorrer a nada e nem a ninguém, estava eu totalmente dependente de alguém para me livrar daquilo, fiquei esperando alguém aparecer para poder me tirar de lá e me levar para casa, eu só queria minha casa, meus pais, mas ninguém aparecia, e aquele vazio me deixava com mais medo, depois de tanto esperar a ‘tia’ da van aparece toda desesperada, quando eu a vi meu coração até voraz ficou, eu enfim iria voltar para casa, fiquei feliz em vê-la mas ao mesmo tempo fiquei com raiva dela, por ter me feito sentir aquela sensação horrível, foi ai que eu prometi à mim mesma que eu nunca mais permitiria me sentir daquela forma, nunca, jamais, e nunca iria deixar que ninguém me fizesse passar pelo que eu passei ou sentir o que eu senti.

Um dia para não recordar. Tamires Salles

Um comentário:

  1. Eu nunce tive essa sensação, acho que pelo fato de eu não ter tido muito tempo pra me acostumar com muito afeto. Mas ao ler seu texto eu consegui sentir o que você sentiu, pelo menos uma amostra, eu entrei na história... Olha o que a pureza da sua escrita consegue atingir hein, o surreal!

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