Era um dia de sol , um dia comum por sinal, o dia estava meio morno demais, como costumava ser, resolvi dar uma volta por perto de um parque que se encontra à algumas quadras de casa, coloquei meus sapatos surrados e um moletom grande e largado, peguei meus fones de ouvido, coloquei nas minhas musicas, as que eu costumava ouvir em um dia rotineiro solitário, continuei a caminhar e os barulhos externos dos carros nas ruas estavam turbulentos demais, eu não via a hora de chegar ao meu destino, era quase o pôr do sol e eu não podia perder esse momento, não sei o que era mais bonito o pôr do sol, ou o surgimento da lua em seguida, eu realmente não sei, só sei que esses dois feitos me cativavam muito. Cheguei ao meu destino, eu estava contente em saber que ainda não era pôr do sol, e que eu iria pode vê-lo desde o inicio, alguns pássaros cantavam por entre as árvores, eu me sentei na grama e expirei o ar puro das flores, olhei em volta, tudo parecia normal, o pôr do sol já iria se iniciar, olhei em volta pra ver se não tinha mais ninguém, foi quando me veio o espanto, havia outra pessoa além de mim naquele mesmo lugar, e por coincidência também esperando para ver o pôr do sol, estreitei o olhar para poder vê-lo melhor, ele era lindo, os fracos raios solares batiam em sua pele reluzente , aquilo me encantou de uma forma absurda, não era comum pessoas irem observar o pôr do sol no fim de tarde, aquele garoto tinha algo de especial, e aquilo me atordoou, quem era aquele garoto? Eu nunca havia o visto antes, ou nunca havia o notado? não sei, continuei a observar seus pequenos gesto, até a maneira com que ele mexia no cabelo me “ incomodava”, fitei-o consecutivamente, por ímpeto estava vidrada na imagem tão encarecedora daquele garoto que eu ao menos sabia o nome, foi então que ele se levantou , nossos olhares de cruzaram e eu sem pensar abaixei a cabeça para que não percebesse que eu estava o olhando... Ele estava se aproximando e a cada passo teu meu coração disparava sem nem saber o porquê, e que magia era essa que esse garoto tinha sobre mim? Quando nem me dou conta ele já estava sentado ao meu lado, olhou para mim e sorriu de leve, eu corei na mesma hora, não sabia o que falar o que fazer, porque aquele garoto que nem me conhecia queria ? Foi quando ele gesticulou — Você estava olhando pra mim, eu fiquei inquieto com a forma que me olhava, então vim ver o que era... Ele deu um sorrisinho abusado, fiquei com tanta vergonha queria enfiar minha cabeça na toca do meu moletom só para ele não ver como eu fiquei com o que disse. Passei meus dedos por dentre a minha longa franja e disse: — Eu nunca havia o visto por aqui, me desculpe o espanto. Falei com um tom meio baixo e calmo para não parecer mais uma louca que olha pros garotos e não tira os olhos deles. Ele sorrio pra mim, um sorriso tão lindo, e disse : — ah eu sempre venho aqui , quer dizer sempre que tenho tempo, gosto de ver o pôr do sol, pensar um pouco essas coisas . Ele deu outro sorrio meio inclinado pra mim, novamente eu estava vidrada naquele completo “quase estranho”, aquele garoto tinha algo de especial algo que me contagiava e me deixava inquieta, aqueles olhos negros e cabelo de corte meio curto me faziam flutuar. Começamos a conversar e a cada palavra eu percebia que tínhamos mais em comum do que uma vista para o pôr do sol, ele não era atirado, respondia objetivamente e dava sempre um riso acolhedor no final de cada frase, eu não acreditava que eu estava conversando com ele, mais me senti a vontade, ele me perguntou o que eu fazia da vida, e eu não fazia idéia do que responder, a minha vida não tinha lá muita graça e muito menos trazia alguma coisa que se diga ‘’ oh minha nossa ‘’ , diferente dele que parecia ter uma vida super empolgante e ‘’badalada’’ , mais que na verdade ele era como eu , uma vida simples e objetiva, continuamos a conversar , eu o perguntei o seguinte : — O que gosta de fazer ? , de inicio era uma pergunta meio boba, será que eu não tinha algo de mais interessante pra perguntar? , enfim, ele me respondeu com o seguinte: — Gosto muito de ler, praticar esportes, gosto do calmo, gosto da vida... Aquela reposta me deixou sem o que falar, aquele garoto era tão... Tínhamos tanto em comum, já havia até me deslumbrado com ele, já era tarde a lua já brilhava lá no alto, tirei meu celular do bolso e olhei, já havia passado da hora de ir pra casa, eu não queria ir, não queria deixar aquele garoto, eu tinha que saber mais, porém ele também tinha que ir, então eu disse :
— bom , tenho que ir agora .
Ele: — Eu também, já estou indo, está meio tarde. Ele sorri de canto.
Eu: — Então ta, estou indo , me aproximei de leve para poder se despedir dele , nossas faces tocaram-se, pareciam entrar em sintonia, por um momento súbito eu senti estar nas nuvens, e não queria ir embora.
Ele afastou-se de leve colocou as mãos no bolso, destinou-me um leve sorriso, deu as costas e foi embora... E eu fiquei o observando por uns instantes, cada vez mais sua silhueta ficava distante de mim, esperei o ir embora até não conseguir mais vê-lo... Mas pêra ai eu não perguntei o nome dele e nem se voltaríamos a nos ver, naquele momento me senti decepcionada, um ar de tristeza se estampou levemente em meu rosto, e a pergunta “ainda poderei vê-lo novamente ? “ , me alimentei com a esperança de que sim, arrumei meu moletom ,bati na minha calça para tirar a sujeira que ficou da grama, e segui para casa ... Aquele garoto me atormentou eu preciso vê-lo novamente, poderia ser incerto isso... Mais ainda espero o dia em que sentaremos novamente naquela grama verde para observar um perfeito pôr sol...
—Tamires Salles M.