segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

indefinitivamente


Enlaçou meus lábios
e depois nunca mais apareceu

deixei o fungo da paixão
criar raízes no coração
que logo fez minha cabeça

avanços que nem me dei conta
começou sútil e sorrateiramente
avançou pela epiderme e logo
já estava a duas camadas a menos
de distancia da minha corrente sanguínea

não esperava ser contaminada
sem pretensão
sem planejar

mas porque não me precavi
parece que eu queria ficar doente
e fiquei

preparada estava
para as doses de morfina e penicilina 
que você cuspira em minha cara 
pelas dores que tu mesmo causastes  

doses de utopia fajuta 
nas quais tu era o meu ator preferido
interpretava tão bem
que até mesmo 
quando era tu o meu ventríloquo 
conseguistes me enganar

enlaçou meus lábios 
e nunca mais pareceu

[t.s]

domingo, 16 de dezembro de 2012



De uns tempos para cá, não estou mais preocupando-me com o que irá acontecer; ou planejando como irá acontecer. Fazemos a escolha de idealizar e ''planejar'' as coisas que queremos na vida, mas sempre, contraditoriamente, não acontecem como previsto, então nos frustramos e ficamos rancorosos, colocamos a culpa no que não tem culpa e assim vivendo se inúmeras auto-punições. Às vezes a melhor escolha é escolha nenhuma, sei que não é tão fácil assim, como dizem '' Na prática a teoria é outra'', mas, não custa nada tentarmos.  Não existe regras ou manual de instruções, somos as próprias regras. Deixar as coisas acontecerem pode ser a melhor opção, se já não é a melhor. Sonhar é importante, nos faz ter esperanças e ânimo para conquistar. Talvez seja assim no amor. Eu não sei. Temos um terrível hábito de nos esforçamos para que os outros vejam os nossos esforços, o quanto estamos lutando para que algo dê certo, queremos que nos enxerguem, mas esquecemos que ninguém pode nos enxergar pelos nossos olhos, mas que cada um tem que enxergar pelos seus. E, se não enxergam, não devemos nos sufocar por isso. Fazemos o que acreditamos que é certo, fazemos até o que está fora do nosso alcance, mas que felizmente os nossos olhos alcançam antes dos nossos braços. Enxergamos. Já não é mais responsabilidade nossa se o outro não enxerga, afinal, não vivemos em função de ninguém, vivemos em função de nós, em função da vida; do viver.
Por isso deixar as coisas fluírem pode ser a melhor escolha, sem planejar, sem idealizar, somente viver. Deixar a vida estar em você. É tão mais saudável preocupar-se com os dias, se haverá sol logo de amanhã, certamente que sim. Mas, será que estará debruçado à janela para contempla-lo? ou, se aos domingos haverá almoço em família para aquelas conversas de sempre, mas que você sorri de satisfação só por estar todos juntos? se o sábado será chuvoso, só para assistir aquele filme de fim de tarde, ou se será ensolarado, para dar aquele passeio no parque e ouvir o burburinho dos pássaros, ou melhor, sair com alguém especial só para poder sorrir antes de dormir, ou dormir sorrindo. Há tanto com o que se preocupar, preocupe-se com a vida e a forma como irá contempla-la. Preocupar-se somente não, viva. Uma vez me disseram que ''As coisas costumam acontecer para os distraídos.'' Se distraía, de divirta. 

[t.s]

sábado, 15 de dezembro de 2012

Você me kiss

Olhos negros
traços
que parecem ser esculpidos
pela mão divina
mas pensando bem
que mal tem
se foram mesmo esculpidos

desenho feito
difícil de ser desfeito
e esse pedaço
que só de olhar
me desfaço
um pequeno pedaço

que lábios são estes?
que tanto me aguçam
 fazem estremer

os beijos trocados
de nossos olhares
não conheço um beijo tão bom
quanto o do teu olhar

[t.s]

Sabe(dor)ia


Aprender com as dores da vida, é como ver um amigo cair de bicicleta por estar em alta velocidade; Então você aprende que se correr demais irá cair, mas nada se compara ao aprendizado dos seus próprios machucados.
 [t.s]

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Dia


num dia brilho 
noutro apago
num dia grito
noutro calo

num dia riso
noutro um choro

num dia sorriso
noutro tristeza

num dia calor
noutro frieza

num dia amor
noutro nem tanto
...

[t.s]

Fotografias na instante


Suas fotografias
minhas fotografias
nossas fotografias

No quintal da lembrança
os acontecimentos correm
como crianças chafurdando na terra

Expressão congelada em papel
que um dia trouxe sorriso
hoje trás saudade

Sorriso de 1999
hoje não é mais o mesmo
cabelo ondulado 
criatura pequena 
 indefesa

Pai e mãe 
a segura-la pelo braço
bicicleta de rodinhas 

A vaga lembrança da praça 
ainda é contante

Hoje passo por ela
que só me trás  saudade.

[t.m]


Os Milésimos


Me faço
e desfaço
nas linhas do tempo

A cada milésio
uma mudança
e muda o que é latente

mudanças
momentos
lembranças

A cada milésimo uma mudança
e não sou mais aquela
de dois segundos atrás

[t.s]

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Declaração de um olhar.


E ele gritava e dizia eufórico que não me amava mais, o pranto oscilando em sua face, dizia que não me queria, e que tínhamos que tomar rumos diferentes, porque, para ele tudo já havia se findado e, olhando em seus olhos com repentinos lampejos eu via que todas aquelas palavras eram falsas, quanto mais dizia que não me amava, seus olhos diziam o contrário, diziam que me amava cada vez mais; E eu, que não conseguia dizer nada, ouvia-o atentamente, pois eu adorava ouvir o sussurrar de seu olhar contradizendo suas palavras, aquele olhar se declarava a mim.

Sua boca fala coisas, mas seus olhos mostram a verdade...

[t.s]

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A menina do cabelo azul.


Garota meio crédula
até demais
acreditava que existia um outro mundo
um paralelo
 diferente do que vivia realmente
todos os dias olhava o céu,
na sacada de sua casa,
-uma bela vista por sinal-
ela contava estrelas
contornava a lua com as pontas dos dedos
e sempre dava um suspiro longo
quando percebia 
que já havia perdido as contas
 de quantas estrelas havia na imensidão do céu
Sonhava com o dia que conheceria o segundo mundo
na imaginação, tudo lá eram de diferentes cores
as casas eram listradas
 haviam muitas pessoas com cabelos diferentes
cada uma com a sua cor preferida
 ela por ventura já havia colorido os seus
seus fios azulados à deixavam mais diferente
 do que já era de costume 
Um dia perguntaram: O que quer ser quando crescer?
Disse confiante:
Quero ser presidente do Segundo mundo 
quero cuidar das pessoas de lá, 
quero ensina-las muitas coisas e aprender com elas.
O sonho da pequena era grande, e a sua imaginação a tornava maior ainda 
 o amor, sabia que estava mais próxima dele
Nunca deixava de contornar a lua cheia
e sempre fazia uma curva de sorriso no centro da mesma,
a menina dizia que gostava de fazer a lua sorrir.

SALES, tamires.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Lagarta sonhadora.

Em uma terra não muito distante, mais exatamente no alto de um pinheiro habitava uma lagarta, seu nome era Teodora. Todos os dias Teodora ficava lá no alto do pinheiro, não descia para nada, não se relacionava com os outros insetos, passarinhos, gafanhotos, minhocas, nada. Seu único amigo era um vaga lume, que só a visitava durante a noite; Teodora era conhecida por sua ''invisibilidade'', tudo por conta da sua falta 
 "social" entre os demais insetos. Mas tinha uma razão pela qual ela agia assim, Teodora tinha um sonho. Um dia queria se tornar uma bela e encantadora borboleta de asas cumpridas e cheias de cores, como se fora desenhada pela mão divina da natureza, porém os insetos debochavam desse sonho, diziam aos quatro ventos que ela não passara de uma lagarta comum e  ordinária, e não seria nada além disso. Teodora não ligava para os comentários maldosos, mas aquelas palavras a machucavam de certo modo, pois haviam se passado algumas primaveras e sua ''transformação'' não acontecida; Em alguns momentos Teodora era fraca e até acreditava que os comentários dos insetos poderiam ser verdade, que ela não seria nada além de uma lagarta ordinária.
Mais uma primavera estava para chegar e como por hábito os insetos iriam dar uma festa de confraternização para a chegada da primavera, todos os insetos foram convidados, inclusive Teodora; Mas a pobre lagarta desconfiara pelo real motivo de ser convidada, ela tinha a leve impressão de que os insetos só fizeram o convite para poder afeta-la, e constatar de que em mais uma primavera ela não teria seu sonho realizado. Luzes, folhas e flores foram colocadas como decoração perto de um enorme carvalho, não muito distante do pinheiro onde habitava Teodora. Pelas frestas de seu casulo Teodora via a comemoração dos insetos e veio com ela a remota sensação de que mais um primavera  chegara e ela não se tornaria borboleta. Seu amigo Vaga lume apareceu por um ápice no pinheiro:
-Olá Teodora, como vai?
-ah oi vaga lume. Como acha que estou? disse com a voz baixa. Está chegando mais uma primavera...
-Teodora, não desanime! disse o Vaga lume tentando conforta-la.
Sabemos que não ira tardar a sua transformação, e que logo logo se tornará uma bela borboleta...
Sorriu arduamente.
-Obrigada...olha só todos estão se divertindo... E olhou para o imenso Carvalho onde estavam todos comemorando.
Disse ela com um tom de que gostaria de estar se divertindo também.
-Vamos lá então!
-Não, não posso ir, sabemos muito bem o que pode acontecer, e não estou nem um pouco afim de ser zombada na frente de todos, e também não quero que todos vejam que estavam certos...
-Certos? como assim...
-É certos, certos de que eu não me tornaria uma borboleta...
O vaga lume, aproximou-se perto da lagarta, deu uma pirueta no ar com sua luz, e disse:
-Teodora a noite está tão linda, olha só a lua, tão linda quanto a minha luz! E riu.
-Realmente está um noite linda, mas não posso sair do meu casulo. Irei admirar a lua daqui mesmo, estou um tanto cansada, tenho certeza que amanhã será um dia longo.
-Tudo bem, irei deixar-lhe descansar. Até mais Teodora, e não desanime acredito em você!
Sorrio solenemente.
-Obrigada, não sei o que seria de mim sem você. Até mais.
No dia seguinte o casulo de Teodora estava fechado, e enclausurado.
Os insetos observavam atentos, e perguntavam-se o que estava acontecendo.
Muitos acreditavam que Teodora estava morta, pois havia muito tempo que estava lá dentro.
Uma semana de primavera se passara e nada de Teodora, seu casulo no pinheiro continuava o mesmo, todos acreditavam que a lagarta havia ido embora e deixado o casulo embolorado, outros achavam que ela estava morta, mas ninguém se candidatava para averiguar o fato real.
Dias se passaram, e em uma bela manhã de sol, com nuvens brancas feito algodão novo, e um azul celeste no céu, o casulo de Teodora começara a se romper, os insetos notaram, e todos se reunirão para observar de perto, o casulo se rompia vagarosamente, e os raios solares começavam a adentrar junto as frestas que o casulo oferecia, quando de repente  uma criatura de uma beleza imensurável começara a sair de dentro do casulo, todos ficaram impressionados com a beleza e as cores daquele inseto que até então era desconhecido, quando o Vaga lume que ali passava gritou:
- É TEODORA! É TEODORA!
Todos ouviram o grito do vaga lume, mas ninguém acreditava, todos estavam boquiabertos com aquela criatura cheira de ternura e graciosidade.
Ninguém acreditava que era Teodora, quando puderam observar melhor, não tiveram dúvidas era Teodora, que bailava sobre o céu azul celeste e os raios de sol fragmentadas em suas asas coloridas, a tornava um ser magnifico e belo!
Teodora estava tão feliz, e voava por dentre os outros insetos, gritando:
-Sou uma borboleta, uma borboleta, obrigada mãe natureza, obrigada!
Não conseguia conter sua excitação e felicidade extrema, finalmente Teodora realizara seu grande sonho.
Todos na floresta estavam vislumbrados, então puseram-se a aplaudi-la!
Daquele dia em diante, Teodora mostrara a todos que quaisquer que sejam os seus sonhos, um dia, e no momento certo ele iria ser contemplado, a paciência e a fé eram o alimento da alma para  a realização de um sonho. E que jamais se deixasse derrotar, pois tudo que há de ser será!

Somos todos lagartas da vida vivendo enclausurados em nossos casulos de proteção, diante de negatividades e raras palavras de incentivo, podemos continuar  a viver ou se render, temos o "sim" e o "não", mas é escolha nossa, em qual acreditar. Estamos em constante fluxo, ou paramos para sempre. Mas é o nosso querer e o nosso acreditar que servem como alimento da alma para mudar o impossível, pois o impossível não existe o que existe e a pouca fé naquilo que se tem medo de lutar.
Um conto, que conto!
[t.s]
Tamires Salles , 22 de novembro de 2012. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Contingência.


Permita-me fazer parte dos teus planos
Poder caminhar nas linhas do teu pensamento
e dançar contigo nos momentos lúdicos
que a vida há de implantar
Somos incertos eu sei
Mas quem é que tens plena certeza de algo?
se somos constitutos por improbabilidades
Sei que não tenho nada a lhe oferecer 
e os pequenos versos que faço 
são simples e inconstantes

Permita-me descobrir juntos
como é esse amor que a poesia tanto reluz
Pois de amor eu não entendo
e me sinto fajuta por não conhecer

Mas conheço bem de saudade
Aquela surrada e doída 
que devasta meu peito
toda vez que tu se vai
Deixando em furdúncio
o meu mofino coração...
 "Permita-me fazer parte da tua quase vida, permita..."
[t.s]

O assassinato involuntário da vida...


Acordar para mais um dia 
nessa rotina desordenada
Há tanto o que se descobrir lá fora
Mas você está atrasado para o trabalho

A manhã está linda
e os pássaros cantam
Mas você não notou que o sol está radiante
pois tem que pegar um trânsito deplorável
e só se preocupa em não chegar atrasado

Começo de tarde
e você encaixotado
esperando desesperadamente
às 1 hora de almoço
para dar tranquilidade a mente atordoada
E ao sair não nota que já é Primavera
e que as árvores estão cheias de vida
Só se preocupa em ''aproveitar'' para dar uma olhada
nas mensagens do celular
atualizar redes sociais
ou qualquer outra
coisa desnecessária

Fim de tarde 
pôr do sol 
nuvens alaranjadas e rosadas
e você encaixotado em uma sala
contando os minutos para ir embora
Não percebe que os céu está fazendo
mais um de seus belíssimos espetáculos diários
está preocupado em chegar logo em casa
para dormir
para mais uma perene rotina seguinte
de não vida
Pois matou a vida
querendo "viver"....

"E você viveu hoje ou só existiu?"
Tamires Salles M.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

As minhas, as tuas, as nossas loucuras...

Cometa loucuras. Não pense muito, pensar já faz mudar de opinião, faça e arrisque, os acontecimentos normais se realizam porém se perdem as frestas da memória. Cometa Loucuras. Quase ninguém lembra dos acontecimentos bons, das madrugadas de riso, e das cenas rotuladas de 'patéticas' por uma coisa tola que se fez ou disse a alguém, por estar gostando dessa pessoa, muitos acontecimentos bons e simples são esquecidos por não sabermos enxergar com os olhos dos sentimentos. Mas fazemos questão de ficar mal por coisa besta, por aquele telefonema que nunca recebemos, ou pela frieza do outro sem ao menos saber o que está acontecendo, ou aquela conversa que não parece estar tão interessante quanto as primeiras, ou qualquer outra coisa, não se apegue a esses acontecimentos, toda história tem sua moral, não deixe-se perder na metade, lute pelo seu 'final feliz'. Cometa Loucuras. E em dias de chuva dispense o guarda-chuva, e dance nela, o minimo que terás é uma gripe e um nariz escorrendo, entretanto terás uma história para rir e contar. Cometa Loucuras. Não tenha medo de dizer o que vem, ou que não  vem a cabeça, vá lá e diga, pelo menos não irá se perturbar com o ponto de interrogação na sua cabeça. Cometa Loucuras. E se sente saudade de alguém, vá ao encontro dela, e se mora longe, arrume dinheiro para a passagem ou peça a alguém uma bicicleta emprestada, só não deixe de ver quem te faz bem. Cometa Loucuras. Não fique na vontade, não guarde dinheiro para só acumular e não saber o que fazer depois, gaste com o que te trás alegria, seja no cinema com um filme 3D, no teatro com aquela peça que você tanto queria ver, no barzinho com os amigos ou talvez com bobagens que você tem vontade de comer. Cometa loucuras. Use aquelas roupas amarrotadas que você tem a anos que gosta tanto, mas não tem coragem de usar, use e abuse se sinta bem, pois ninguém pode fazer isso por você. Cometa loucuras. Cante um Inglês mesmo sem nem saber o que está cantando, cantarole, dance e sinta-se liberto. Cometa loucuras. Não deixe que a rotina te afaste de quem você queria que estivesse perto, faça algo diferente, chame para sair ou façam um passeio grátis, mas não deixe morrer o que ainda teria que viver muito. Cometa loucuras. Não deixe-se perder com as desilusões da vida, há tanta coisa que vale a pena conhecer. Cometa loucuras. Se possível almoce sozinho para sentir falta do que ainda não foi servido no prato da sua vida. Cometa loucuras. Ajude alguém carregar sacolas pesadas, mesmo quando a pessoa insiste em dizer que 'não precisa de ajuda e que aguenta o peso'. Cometa loucuras. Apaixone-se pela vida, e ame a sua vida, leia  um livro novo, ouça uma canção nova, ou faça sua própria canção, cantarole-a, só não deixe sua vida em um mar sem ondas sonoras. Cometa loucuras. Relembre uma madrugada que teve com alguém, ou uma tarde maluca ou tranquila, mas lembre, só para ter o prazer de sorrir novamente. Cometa loucuras. Não faça drama para ganhar atenção, ou até faça para ver se alguém tem a sensibilidade de lhe ouvir, mesmo sabendo que está fazendo manha. Cometa loucuras. E que todas as suas ações ou lembranças não lhe perturbe por não ter arriscado. Cometa loucuras. Alterne e mude sua respiração com um beijo. Cometa loucuras. Ninguém quase lembra mesmo dos acontecimentos bons e pequenos. Então faça lembrar.  Cometa Loucuras. Prefira a ousadia da loucura do que a covardia de vontades não realizadas. Cometa loucuras. Liberte-se!

Todo dia é uma chance de fazer loucuras, seja louco, pois tentar ser sensato é ousadia demais.
Tamires Salles M.

Só uma coisa...

Estou sentindo minha falta...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A pior sensação...

Quando eu tinha 7 anos eu sofri o meu primeiro ”abandono”, fui esquecida na porta da escola, era o meu primeiro dia de aula, minha 1° série, e já havia sido recepcionada daquela forma, eu era tão pequena, e cheia de medos, todos indo embora com seus pais, outros indo embora com as vans escolares, e eu ainda estava lá, esperando a minha vez de ir embora, minha escola era gigantesca, e eu me tornei tão pequena perto dela, todos os portões fechados, e nem o zelador da escola estava lá para me ”ajudar”, foi então que eu decidi ir embora sozinha, eu não sabia o caminho de casa, e me esforçava para lembrar o trajeto que a minha Van escolar havia feito até a escola, mas eu não conseguia lembrar, me senti tão inútil, eu nunca havia me sentido daquela forma, 7 anos e já se sentir inútil? foi então que eu desisti, e parei no muro alto e rustico da escola, me agachei e fiquei toda encolhida, com os braços envolta dos joelhos, aquela sensação de abandono e medo foi a pior que já tive, eu não poderia recorrer a nada e nem a ninguém, estava eu totalmente dependente de alguém para me livrar daquilo, fiquei esperando alguém aparecer para poder me tirar de lá e me levar para casa, eu só queria minha casa, meus pais, mas ninguém aparecia, e aquele vazio me deixava com mais medo, depois de tanto esperar a ‘tia’ da van aparece toda desesperada, quando eu a vi meu coração até voraz ficou, eu enfim iria voltar para casa, fiquei feliz em vê-la mas ao mesmo tempo fiquei com raiva dela, por ter me feito sentir aquela sensação horrível, foi ai que eu prometi à mim mesma que eu nunca mais permitiria me sentir daquela forma, nunca, jamais, e nunca iria deixar que ninguém me fizesse passar pelo que eu passei ou sentir o que eu senti.

Um dia para não recordar. Tamires Salles

sábado, 20 de outubro de 2012

Campo de batalha...


Agora entendo o porquê do Peter-pan não querer crescer, crescer assusta, crescer faz ter mais medo, e se sentir inseguro, você é disparado bruscamente a um campo de batalha diferente das fases que você estava acostumado a lutar, e sem pensar muito você tem que começar a batalhar, afinal o que é crescer? fazer 18 e fazer o que der na telha? não é bem assim, nessa fase é quando você aprende que não pode mais se esconder no quarto e trancar a porta, aprende que, tapar os ouvidos para não ouvir uma coisa desagradável não é mais uma saída,  e que fazer cara feia não ajuda a resolver as coisas,  lembro de quando eu tinha 10 anos, eu achava fantástico o fato de que um dia eu teria 17, 18 anos ou mais, e provavelmente iria sair, badalar, namorar, e chegar de madrugada em casa, no entanto estou eu com 17 e nunca tive interesse em ir a nenhuma balada, nunca tive sequer um relacionamento, e foram poucas as pessoas com que me"envolvi". 
Lembro também de quando eu chegava em casa chorando, e ia para o colo dos meus pais, por ter tido um dia ruim na escola, por ter tirado uma nota ruim, ou pelo fato de ter sido sexta-feira "Dia do brinquedo" e eu não ter lavado o meu, isso não mudou muito, querer se refugiar em um colo e sentir alguém fazendo carinho no seu cabelo para te acalmar e dizer que tudo iria ficar bem, está fazendo falta, as vezes eu preciso de um colo, e tenho que aceitar que, por muitas vezes esse colo estará longe de mim, e mesmo assim não deixar de suplica-lo,  passei grande parte da minha adolescência sonhando sem me mover, dentro de casa assistindo Tv,  lendo livros, ouvindo músicas, e tentando achar o porquê das coisas com doses demasiadas de rebeldia, mas não me arrependo de absolutamente nada, isso me tornou o que sou hoje, ou está me tornando. Por fim crescer é assustador, é aprender também que os monstros que eu achava que tinha debaixo da minha cama nunca estiveram lá, mas que um dia iriam existir, e que não iriam aparecer debaixo da cama ou dentro do guarda-roupa, mas sim no dia a dia, e que todos os dias iria ter um monstro diferente para se encarar, e que muitos deles sairiam de dentro de si para amedrontar, crescer é iniciar uma longa batalha contra monstros, e aprender a lidar com si mesmo, é querer se trancar no quarto o dia todo e não poder, por ter que trabalhar ou cumprir alguma responsabilidade, mas que belo campo de batalhas, agora é continuar o caminho, já estou no campo e não posso recuar, queria ainda me preocupar com qual lápis de cor teria que pintar meu desenho rabiscado, mas eu tive que crescer...

"Agora eu te entendo querido Peter-pan." (Tamires Salles)

O tempo não pede licença...


Ainda relembrando as ultimas conversas
a minha cabeça está latejando
afinal qual o nosso propósito na terra?
eu me pergunto se voltará

365 dias 
décadas se passaram
e estamos no mesmo lugar
será que nascemos destinados à alguém
ou destinamos alguém a nós?

Todas as noites ao deitar e se perguntar
Buscar respostas em uma força maior
aquela que aprendi a acreditar 
desde que me entendo por gente
Orações e pedidos 
poucos agradecimentos
pra poucos acontecimentos

Motivados pela esperança de acordar
e ter aquele rosto voltado para ti
Cada amanhecer é uma manhã a menos
Espero que possamos sobreviver a isso

Não é fácil colocar as coisas no lugar
quando tudo está uma bagunça
eu não me importaria de esperar
e se eu chegar aos 99 e encontrar
nem que fosse para viver somente 1 dia
valeria a pena
pra quem andava perdido
se encontrar por 1 dia
compensariam toda uma vida de desencontros.


"E nós significamos algo pra alguém? Para esperarmos cada dia por esse alguém? Talvez não, mas eu não me importaria."
( Tamires Salles)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Canta teu canto, não se perca num canto...

Não quero um canto escuro de um sala vazia
ou de um quarto sem esplendor
eu quero um canto que canta
que desperta os cantares

Que afasta os prantos
e estimula as cordas vocais
Para cantar
teu canto de solo
doce  cantar

Quero vida cantante
cantares de vida
faz do meu pranto, teu canto
para o entardecer tu me encantar

Uma canção de ninar tu recitar
fragmenta teus poros
momentos de outrora
vidas passadas
que ainda hão de passar

Dai-me a tua mão
e deixe-me segura-la
teus dedos ligados
e entrelaçados

Canta teu canto
querido encanto
naquele canto sem esplendor...

Chegue mais perto formosa pepita
e faz palpitar o meu coração
há tempos não babe
nesse combate
de um vento que bate
nessa face...

1 Capítulo do começo de uma quase vida...



Pensei que você hoje não viesse mais, que estivesse de folga, mas já que está aqui queria lhe contar o que anda acontecendo dos últimos dias para cá, sabe daquela gastrite nervosa? ela mesma, voltou me atormentar, mas isso não é o pior, não é a gastrite que está fazendo minha cabeça latejar, mas sim, o que há de acontecer, meu pai anda mentindo pra mim, é, quer dizer anda com duas verdades, ou mentiras que não entendo, ele está com duas versões pra tudo, diz uma coisa para mim, e depois diz outra, eu nunca sei quando ele está realmente falando a verdade, e agora ele quer me levar para um lugar onde eu nunca imaginaria que teria de ir morar, eu não quero ir, minha gastrite dá até rodopios nas vísceras quando penso nisso, hoje logo pela manhã recebo uma ligação da minha mãe, que diga-se de passagem que não gostei, bem, eu gostei de ter falado com ela, mas não gostei da frenesi que ela demonstrou com a ''noticia'' de que eu vou para lá, eu entendo que ela esteja feliz que eu ''vou'', mas ela não entende que eu já estou com o pé nos meus 18 e a faculdade está logo a frente, estou a uma passo de construir minha vida, e ela acha que eu ainda tenho que viver na barra da saia dela, muitos na minha idade estão com medo de encarar o que há pela frente, e se escondem atrás da figura protetora dos pais, já eu quero caminhar logo, sem atropelar meus passos, mas quero caminhar, minha vida está aqui na cidade grande, meus sonhos estão aqui,  quero estudar, trabalhar, me formar, viajar e quem sabe casar, eu não quero viver as custas de ninguém, no auge da minha idade eu nem deveria estar preocupada com isso, eu poderia estar em festas ou bares curtindo a minha breve adolescência, mas não, eu tive que crescer antes, tive que me tornar ''mulher'' antes, eu uso aspas no ''mulher'', porque eu ainda não me tornei uma, eu ainda tenho meus medos, mas eu não tenho escolha, ou eu cresço ou eu cresço, diante dessas duas ''opções'' imagine só como estou me sentindo, queria eu ter cometido um lapso, mas não, os fatos estão explícitos e eu tenho que encara-los, em menos de 2 meses eu provavelmente estarei indo para o cafundós, e irei, e no caminho já estarei fazendo planos de quando irei voltar, sem mesmo ter chagado lá, -suspiro fundo-, não digo que estou perdida, mas talvez estejas, será que estou sendo eu uma egoísta? querer ser feliz é ser egoísta? se for meu camarada, eu irei ser uma ímpetulante, imprudente e sem escrúpulos em egoísmo puro...

...Desculpe meu jeito, ou minha falta dele, eu só quero ser feliz...

Tão pequeno, que se tornou grande...

O grande dia então aproximava-se, e eu ainda não acreditava que estava prestes a se casar, os pequenos e singelos preparativos sem muita super-produção, estavam puramente perfeitos, o vestido simples de cetim com fitas causava deslumbre, já era primavera, a estação não podia estar mais bela, minha mãe estava comigo em meu quarto ajudando-me a me aprontar, os olhos dela marejados com lágrimas ralas, e minha irmã do outro lado segurando meu buquê, eu não podia estar mais feliz, aliás podia sim, pois faltava apenas algumas horas para o meu pequeno grande sonho se concretizar, minha irmã abraçava-me com tanto calor, minha mãe agradecia baixinho a Deus por ter me concedido este feito, virei para o espelho e fitei-me por alguns poucos segundos, um sorriso árduo e solene tomou conta da minha face, estava eu, vestida de noiva, com um belo penteado, minha mãe aproximou-se de mim e colou-me o véu, votei a sorrir novamente, e meu coração estava voraz, como dá primeira vez que ele, meu futuro marido, pediu-me em casamento, aquela fora sem dúvida a noite que mudou minha vida, nossos anos de namoro resultariam uma bela aliança no dedo e outra no coração, o danado naquela noite havia me dado um susto, disse que iria terminar o namoro comigo, eu fiquei sem chão, meu coração se encolheu, e me senti tão pequena quanto um grão de arroz, foi quando ele deu um sorriso e tocou minha face, tirou do bolso uma caixinha, tão pequena, ajoelhou-se e disse: '' Quero declarar o fim do nosso namoro, e anunciar o começo de nossas vidas, aceita ser para sempre e única mulher da minha vida?", os olhos brilhavam como diamantes refletidos na luz, e é claro que aceitei, e hoje estou aqui, minha família, amigos, e todos aqueles que conheceram os nossos caminhos , que não foram fáceis, por muitas vezes a fraqueza queria tomar frente à tudo, eu não sei se a vida é maior do que a morte, mas sei que o amor é maior do que os dois , e isso nos tornou maior do que qualquer fardo. Já havia dado 17:00 horas o sol estava para se pôr, fitei os olhos de minha mãe e da minha irmã, e deram-me elas um beijo na testa, e no mesmo ápice meu pai bate na porta, para o meu pequeno grande passo, suspirei fundo, e fui de encontro ao meu amado.

... claro que me esforçarei para que dê certo, e espero que dê logo, já espero a tanto tempo, não quero mais passar um dia sequer longe ou sem o amor de quem passará o resto da vida ao meu lado!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ápices de desordem...

Coração inflamado
hoje busca tua cura
Morfinas ou doses exageradas
Lugares sedentos
que inspira cheiro vulgar
Esquinas escuras
que almejam um foco de luz
Coração voraz
ápices de desordem
onde se encontra
esse tal de ”amor”?

[t.s]
“Poucos são os que amam, a maioria só tem medo da solidão.”

Onde esteves noite passada...



Meu menino, meu menino
Me digas onde esteves a noite passada
só não me digas que dormiu no relento
tu disseres à mim que sentira minha falta
quando os ventos sopravam frio

A noite passada que na janela eu me debruçava
a neblina e a lua envergonhada entre as nuvens
não me dizias onde tu estavas
Não minta para mim
diga onde fora que tu dormiu a noite passada

Meu menino
tu sabes que nem todas as noites a lua brilha tão escandecente
e que os galhos daquela antiga árvore não são os mesmos
uma nova primavera está por vir
só não desapareças desta forma
e não minta para mim…

18 de outubro, talvez era isso que ela queria lhe dizer.

sábado, 13 de outubro de 2012

Éramos um, feito de dois...


E mesmo sabendo que aqueles olhos negros eram incertos insisti em fita-los, consecutivamente. Foi quando os mesmos invadiram meu ser, atravessaram minha pele, minha carne, minha alma, senti raiva de mim por ter permitido que adentrasse, olhar ousado, minucioso e pujante, que elançava-me, e dava-me um nó, estava eu presa naqueles olhos profundos e fundos, olhar cansado que clamava afeto; Por mais que estivesse enfeitiçada por eles, eu não pude me render, eu havia findado um ápice intenso e recente em minha vida, e não podia iniciar outro, meu ser não estava totalmente liberto, pois ainda estava enroscado nos últimos acontecimentos, que só de pensar faz minhas vísceras embrulharem, e um vômito involuntário se iniciar. Dei alguns passos até aquele figura desconhecida, aproximei, cheguei bem perto, e parei a alguns centímetros de distancia, estava eu parada em frente a frente aquele grande ''des-conhecido'', pois eu já o conhecia, mas nunca havia reparado nele, o fitei e inclinei para poder percorrer com os olhos cada milimetro de sua face, o ''des-conhecido'' estava parado fitando-me da mesma forma, parecíamos dois primatas que nunca havia avistado outro ser humano, havia algo que nos manteve sintonizados, quanto mais fitava aquele olhar um labirinto iniciava-se, o fim de tarde frio e com neblinas intensas tomavam conta das ruas vazias, na qual onde só se via os faróis de carros semi-apagados. Aquele olhar me entendia, me gritava, me assolava, me decifrava, deixava-me sem reação, nem minhas pálpebras mexiam-se, minhas pestanas estavam inertes, e eu não conseguia para de fita-lo. Cada milésimo de segundo que se passava eu queria vasculhar mais daquele interior infinito, eu sabia que se adentrasse não poderia haver saída, mas já era tarde, eu estava totalmente entregue, as duas almas, que até então estavam vagando, se encontraram, se encaixaram, se abraçaram, colara-se uma na outra como figurinha em um álbum, sem mencionar sequer um palavra, o des-conhecido, envolveu uma de suas mãos em minha cintura, direcionou-me solenemente para perto dele, os corpos de encontraram, se encaixavam tão bem que pareciam desenhados um paro o outro, com a outra mão colocou uma mexa de meu cabelo atrás de minha orelha, e tocou minuciosamente em meu rosto, e continuou a fitar-me, com um movimento sutil envolvi meus braços envolta do seu pescoço, quando por ímpeto encostamos nossas testas uma na outra, e ele começara a me embalar, um passo pra cá outro para lá, uma dança solene se iniciou, e ainda não entendia o porquê de estarmos dançando, sem sequer ter dito uma só palavra, mas continuei a dançar pois aquela sensação de estar sendo embalada me fazia um ser magnifico; Eu podia ouvir o som de sua respiração ofegante e profunda, soavam como sinfonia aos meus ouvidos, e o cheiro da sua respiração era estonteante, tivemos um roçar de narizes, e um sorriso árduo se formou nos lábios contraídos e provocantes, que me fizera desejar-lhe, a cada segundo que passava estamos mais envolvidos mais sintonizados, e isso fazia-me estremecer, ele puxava me lentamente, que nossas costelas se colidiam, por um ápice eu não queria mais ter que ir embora nunca, ah se aquela dança pudesse se eternizar, não se findasse nunca, eu viveria de eterna solenidade de seria um ser magnifico (...)
 Talvez continue...

Tamires Salles M.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Tu nem viestes e parece ir embora...

Sempre que podia eu o observava, todos os dias, tardes, e noites, o observava porque era a única maneira de te-lo ao meu alcance, eu o observava pois nunca havia parado para enxergar ninguém, e olhando-o eu pude enxergar mais do que aquela estrutura humana podia oferecer, pude enxerga-lo além da pele, dos olhos, dos músculos, das veias, das cartilagens, confesso que gosto disso, gosto de poder saber que, nem todas as pessoas são sem genuinidade, que se paramos para enxerga-las e não somente vê-las, iremos conhecer um lado ocultado, escondido, ou esquecido, que habita dentro do ser, observando-o pude enfim poder tentar me enxergar, tentar, tentar...e ainda não consigo, mas prefiro observa-lo do que tentar saber quem sou, pois saber quem ele és, me faz descobrir um pouco do que há esquecido em mim, faz de mim um ser genuíno, essa sensação sem nome, sem titulo, sem Script, que recita tantas coisas que não seriam dignas de serem transformadas em palavras, me faz um ser pequeno e indefeso, tau sensação que me frusta, deixa-me inquieta, e tortura-me com sua solenidade, pergunto-me se tudo isso é real, ou é minha imaginação criando sintomas no meu corpo, no meu sentir, mas não, não é uma farsa, é real, tão real quanto a luz emitida pela lua, tão real quanto o amanhecer o e entardecer, tão real que parece farsa...
Tamires Salles.
''Lance em mim um pouco de ti, deixe em ti um pouco de mim, só não passe em branco o doce momento em que em ti sou, e que em mim tu és. (Cris Campos)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O teatro sempre esteve cheio, mas atualmente as pessoas é que estão vazias...


Parada e inerte mantive-se naquele grandioso espetáculo de atores sem expressão, mantive-me quieta pois já bastava as vozes gritantes dos quatro cantos do palco mudo, foi quando levantei-me e olhei para a plateia, cadeiras cheias de lugares vazios, não havia ninguém, e isso já se prolongava a semanas, eu não conseguía esclarecer que mistério era aquele, o porquê daquele teatro vazio, só ouvia-se rumores de que   todos da cidade estavam nos bingos, apostando suas economias nos cassinos daquela deplorável cidade, estavam sendo escravas das próprias futilidades de rotulavam de "liberdade", sentei-me no beiral do palco, os meus colegas de teatro já haviam ido embora, então só restava à mim ficar lá por mais alguns minutos ou horas, olhando aqueles lugares vazios, veio a remota lembrança de quando aquele teatro era requisitado e visitado, esgotavam-se a bilheteria por não ter espaço suficiente para tantos admiradores da Arte cênica, cada lugar que ali estava vazio, já foi ocupado por almas pujantes, e eu ainda podia ouvir as gargalhadas escancaradas que davam, ou até o marejar olhos escondidos no escuro da plateia, cada ser que ali já esteve tinha uma visão diferente do espetáculo que assistia, cada um aprendia um ensinamento, e saiam de lá com a o ser renovado, e essa era a nossa meta, renovar pessoas através da Arte, isso lembra-me de um pequenino que no final do espetáculo avistou-me de longe, e exclamou meu nome com tanta frenesi que espantei-me, ele vinha em minha direção com os braços a se erguer para que eu o pegasse no colo, e foi o que fiz, o levantei e coloquei em meus braços, aquele pequenino não exitou em gesticular tocando em minha testa enquanto dizias : " QUE LEGAL, AQUILO QUE VOCÊ FEZ, EU RI TANTO QUANDO VOCÊ CHAMOU AQUELE MOÇO DE BOBO DOS CABELOS VERDES", eu dei um leve entre-riso, o pequenino abraçou-me tão minunciosamente que senti-me acolhida por um anjo, sua inocência era encantadora, e sua visão também, continuei a segura-lo, ele mexia nos meus cabelos, e tocava em minha orelha, batendo com as ponta de seus dedinhos o meu brinco, perguntei-lhe: " E você pequenino o que queres ser quando crescer?", então ele inclinou bem levemente e abriu um sorriso de canto a canto, encolhendo as mãozinhas entre-o-rosto, e exclamou meio sem jeito:"Quero ser igual vocês", estreitei o olhar e perguntei: Ser igual a nós? como assim? queres ser ator?, e o retribui com um aperto leve em seu pequeno nariz, e o pequenino disse:" Não, vocês fazem as pessoas sorrirem e até chorarem, eu gosto disso, quero fazer isso quando eu crescer, acho tão legal quando vejo as pessoas rirem e chorarem, isso mostra que elas tem sentimentos...", ao ouvir o que ele dissera arregalei os olhos, e me fiz uma auto pergunta," como ele sabia daquelas coisas?", era tão pequenino,e veio-me uma alegria que causou fervor em meu coração, naquele momento senti que valia á pena continuar a fazer o que sempre fiz, o olhar daquele pequenino era nu, não escondias nada, transparente como cristal, então o coloquei no chão pois ele já tinhas que ir embora, ele abraçou-me mais uma vez cuidadosamente, e mais uma vez senti-me acolhida por um anjo, ele afastou-se de mim e acenou contente com as bochechas coradas, acenei de volta e com um largo sorriso no rosto, depois disso muitas pessoas aproximaram-se, elogios, elogios, elogios, e mais elogios, mas nada se comparava ao que aquele pequeno me dissera; Agora aqui estou, sentada sozinha no palco na qual já trouxe-me muitas alegrias, as luzes estão apagadas, e só se tem o clarão no palco vazio, um suspiro profundo tomou conta do meu ser, meu corpo estava cansado, e meus olhos insistiam em se fechar, eu não sabia o porquê de ainda está lá, não havia ninguém além de mim, e provavelmente não apareceria ninguém, o que era cabível naquele momento era ir embora...E fui, mas não para sempre, eu sempre voltaria para aquele teatro, que por mais vazio aparentasse ser, foi onde mais preenchi minha alma, aparentemente vazio, mas só quem viveu lá sabe o quão cheio ele és....
       Dizer palavras que não recitam nada, causam nada, entram por um ouvido e saem pelo outro..

                                                                           T.S.M

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Não esqueças de acender o teu lampião todas as noites...


Na fazenda da minha antiga cidade, moravam há muitos anos um casal de velhinhos. E sempre que podia os observava. Era solene a forma como os dois se encaixavam. Ela era vendedora de flores e ele um velho agricultor, que nunca havia andado de carro, pois, costumava rotular como ''máquina inútil''. Ele gostava mesmo era de andar de carroça e sentir o galope que dava o cavalo. Todas as manhãs bem cedinho, oravam e agradeciam por mais um café quentinho coado no pano -que mais parecia meia velha-. Eu gostava de observa-los; Transmitiam uma sensação que eu jamais pudera sentir; Marejavam-me os olhos quando despediam-se com um beijo na mão e outro na testa. Aquela velhinha amorosa tinha alma de anjo. Uma vez estava próxima aos dois, e, calada, meio distante, pude ouvir o que conversavam. Ela dizia a ele que, ao anoitecer, não esquecesse de acender o lampião, pois tinhas medo de dormir na escuridão -já que na humilde casa não havia eletricidade. Ele segurava-lhe a mão e dizia: Não esquecerei. Com um tom de voz doce. E o ritual de acender o lampião se estendia por noites e noites. Mas como sabemos, um dia as coisas tomam um rumo que já nascemos predestinados a tê-lo. Ela era frágil e sua saúde já não era a mesma, fraca e sonolenta, já previa a sua partida, então teve aquele triste fim.
Mas partiu como um anjo solene e feliz. Em seus últimos momentos, disse a seu companheiro: Não sei para onde irei. Mas onde quer que eu vá estarei esperando-te também, meu amado... E fechou os olhos. O velhinho não conformava-se de que havia perdido sua preciosa mulher. Todas as noites antes de dormir fazia o havia prometido a sua companheira; Acendia um lampião do lado na cabeceira onde ela dormira antes de morrer, e, ao orar recitava baixinho como se estivesse falando a ela. Dizia: Como sempre prometi a ti minha amada. Aqui está seu lampião aceso, para afastar-lhe a escuridão. Saibas que onde quer que estejas, nunca estarás no escuro, pois todas as manhãs, o sol brilhará, e ao anoitecer o lampião reinará em nosso quarto, para alegrar-te. E não vejo a hora de te encontrar.

...Não faças da noite tristeza, acendas o lampião do teu amor...

(Tamires Salles M.)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Não sejas escravo do limite...


Quantas vezes a sua garganta fechou-se, deu-se um nó, e um engasgo formou-se, quantas vezes o coração pulsou de forma que ecoasse em um comodo qualquer, quantas vezes marejou-se os olhos e engoliu as lágrimas submersas, quantas vezes quis gritar tão alto que pudesse ensurdecer o silêncio que insistia em incomodar os ouvidos, quantas vezes quis fazer algo, mas que, por abrigar o medo o fez refém, quantas vezes olhou naqueles olhos negros e quis dizer o que eles lhe diziam, quantas vezes sentiu aquele toque e quis recitar o que eles transmitiam, quantas vezes ao sentir aquele breve abraço lhe trouxe uma paz interna, uma calma aérea, e uma inquietação sútil, quantas vezes ao ler aquele livro, lembrou-se daquele sorriso maroto e daquela fala mansa, que se encaixavam no final de um verso em uma canção de amor, quantas vezes deixou a incerteza gritar mais alto que a vontade do coração, quantas vezes mais terás medo de ariscar, quantas vezes mais terás de obter coragem para enfrentar o que lhe causa tremor, quantas vezes mais fugirás daquele jeito que lhe cativou, mas que não atreve-se a ir procurar, quantas vezes mais terás que viver em função do tempo esperando que ele venha bater um sua porta com flores e um cartão
..quantas vezes mais terás que usar o quantas vezes...

Tamires Salles M.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O que a mente manipula, o coração vomita...sentimentos.
Tamires Salles M.

Talvez era só coincidência...



Era um dia de sol , um dia comum por sinal, o dia estava meio morno demais, como costumava ser, resolvi dar uma volta por perto de um parque que se encontra à algumas quadras de casa, coloquei meus sapatos surrados e um moletom grande e largado, peguei meus fones de ouvido, coloquei nas minhas musicas, as que eu costumava ouvir em um dia rotineiro solitário, continuei a caminhar e os barulhos externos dos carros nas ruas estavam turbulentos demais, eu não via a hora de chegar ao meu destino, era quase o pôr do sol e eu não podia perder esse momento, não sei o que era mais bonito o pôr do sol, ou o surgimento da lua em seguida, eu realmente não sei, só sei que esses dois feitos me cativavam muito. Cheguei ao meu destino, eu estava contente em saber que ainda não era pôr do sol, e que eu iria pode vê-lo desde o inicio, alguns pássaros cantavam por entre as árvores, eu me sentei na grama e expirei o ar puro das flores, olhei em volta, tudo parecia normal, o pôr do sol já iria se iniciar, olhei em volta pra ver se não tinha mais ninguém, foi quando me veio o espanto, havia outra pessoa além de mim naquele mesmo lugar, e por coincidência também esperando para ver o pôr do sol, estreitei o olhar para poder vê-lo melhor, ele era lindo, os fracos raios solares batiam em sua pele reluzente , aquilo me encantou de uma forma absurda, não era comum pessoas irem observar o pôr do sol no fim de tarde, aquele garoto tinha algo de especial, e aquilo me atordoou, quem era aquele garoto? Eu nunca havia o visto antes, ou nunca havia o notado? não sei, continuei a observar seus pequenos gesto, até a maneira com que ele mexia no cabelo me “ incomodava”, fitei-o consecutivamente, por ímpeto estava vidrada na imagem tão encarecedora daquele garoto que eu ao menos sabia o nome, foi então que ele se levantou , nossos olhares de cruzaram e eu sem pensar abaixei a cabeça para que não percebesse que eu estava o olhando... Ele estava se aproximando e a cada passo teu meu coração disparava sem nem saber o porquê, e que magia era essa que esse garoto tinha sobre mim? Quando nem me dou conta ele já estava sentado ao meu lado, olhou para mim e sorriu de leve, eu corei na mesma hora, não sabia o que falar o que fazer, porque aquele garoto que nem me conhecia queria ? Foi quando ele gesticulou — Você estava olhando pra mim, eu fiquei inquieto com a forma que me olhava, então vim ver o que era... Ele deu um sorrisinho abusado, fiquei com tanta vergonha queria enfiar minha cabeça na toca do meu moletom só para ele não ver como eu fiquei com o que disse. Passei meus dedos por dentre a minha longa franja e disse: — Eu nunca havia o visto por aqui, me desculpe o espanto. Falei com um tom meio baixo e calmo para não parecer mais uma louca que olha pros garotos e não tira os olhos deles. Ele sorrio pra mim, um sorriso tão lindo, e disse : — ah eu sempre venho aqui , quer dizer sempre que tenho tempo, gosto de ver o pôr do sol, pensar um pouco essas coisas . Ele deu outro sorrio meio inclinado pra mim, novamente eu estava vidrada naquele completo “quase estranho”, aquele garoto tinha algo de especial algo que me contagiava e me deixava inquieta, aqueles olhos negros e cabelo de corte meio curto me faziam flutuar. Começamos a conversar e a cada palavra eu percebia que tínhamos mais em comum do que uma vista para o pôr do sol, ele não era atirado, respondia objetivamente e dava sempre um riso acolhedor no final de cada frase, eu não acreditava que eu estava conversando com ele, mais me senti a vontade, ele me perguntou o que eu fazia da vida, e eu não fazia idéia do que responder, a minha vida não tinha lá muita graça e muito menos trazia alguma coisa que se diga ‘’ oh minha nossa ‘’ , diferente dele que parecia ter uma vida super empolgante e ‘’badalada’’ , mais que na verdade ele era como eu , uma vida simples e objetiva, continuamos a conversar , eu o perguntei o seguinte : — O que gosta de fazer ? , de inicio era uma pergunta meio boba, será que eu não tinha algo de mais interessante pra perguntar? , enfim, ele me respondeu com o seguinte: — Gosto muito de ler, praticar esportes, gosto do calmo, gosto da vida... Aquela reposta me deixou sem o que falar, aquele garoto era tão... Tínhamos tanto em comum, já havia até me deslumbrado com ele, já era tarde a lua já brilhava lá no alto, tirei meu celular do bolso e olhei, já havia passado da hora de ir pra casa, eu não queria ir, não queria deixar aquele garoto, eu tinha que saber mais, porém ele também tinha que ir, então eu disse :
— bom , tenho que ir agora .
Ele: — Eu também, já estou indo, está meio tarde. Ele sorri de canto.
Eu: — Então ta, estou indo , me aproximei de leve para poder se despedir dele , nossas faces tocaram-se, pareciam entrar em sintonia, por um momento súbito eu senti estar nas nuvens, e não queria ir embora.

Ele afastou-se de leve colocou as mãos no bolso, destinou-me um leve sorriso, deu as costas e foi embora... E eu fiquei o observando por uns instantes, cada vez mais sua silhueta ficava distante de mim, esperei o ir embora até não conseguir mais vê-lo... Mas pêra ai eu não perguntei o nome dele e nem se voltaríamos a nos ver, naquele momento me senti decepcionada, um ar de tristeza se estampou levemente em meu rosto, e a pergunta “ainda poderei vê-lo novamente ? “ , me alimentei com a esperança de que sim, arrumei meu moletom ,bati na minha calça para tirar a sujeira que ficou da grama, e segui para casa ... Aquele garoto me atormentou eu preciso vê-lo novamente, poderia ser incerto isso... Mais ainda espero o dia em que sentaremos novamente naquela grama verde para observar um perfeito pôr sol...



—Tamires Salles M.

Indagáveis

Nunca fui a garota mais disputada da escola, nem a popular, muito menos interessante, eu sempre fui eu, somente eu, mais uma em 3 mil em uma escola, e pra falar a verdade eu não me sentia mal por isso, quer dizer não quando alguém notava minha presença e começava a cochichar, ou me olhava com olhar de estranheza, e eu me perguntava ” há algo de errado comigo?”, “porquê estão me olhando desse jeito?”, e sempre caia na mesma resposta, resposta alguma, àqueles que me “notavam” não era por causa da minha “beleza”, mas da minha “estranheza”, só porquê eu era uma das pouquíssimas garotas que caminhavam rápido demais para a sala de aula, com livros empilhados no braço, uma bolsa com cadernos, e apostilas para mais um dia cheio de aula, e que gostava de rabiscar a última folha do caderno com versinhos improvisados e pensamentos, que sempre tinha uma palavra nova para expressar um sentimento…eu era diferente das garotas daquela escola, eu não tinha nada haver com elas, e elas muito menos comigo, eu tinha poucos amigos, os quais também recebiam olhares estranhos direcionados à eles, de vez em outra eram caçoados por estúpidos da Classe que se achavam os “fodas”, sim eram bem fodidos mesmo! As garotas da minha Classe eram esnobes, fúteis, mas populares e “desejadas”...vai entender! Eu nunca fui em festinhas da escola, minto, fui uma vez, e última, aquilo não era “festa”, era uma sessão de “falta de dar-se ao respeito”, como poderiam chamar aquilo de festa?! Enfim, já estou no 3° ano, faltam poucos meses para eu me ver livre daquilo, confesso que irei sentir falta dos meus amigos, sim do contato diário, mas como disse são meus amigos e nos encaixamos até onde ninguém acha que podemos." 

— Tamires Salles M.

terça-feira, 18 de setembro de 2012


Uma Romantivolucionista...

Ela é diferente, tem uma cautela que é de ser invejada, tem olhos pequenos meio arredondados com leves cílios curtos, e uma fluência indescritível,  ela fala como se entendesse das coisas, se certa forma entende, mas fala como se soubesse solucionar tudo, mesmo sabendo que muitas vezes não, ela te ouve, e fala bem pouco, gosta de ouvir as pessoas, sente-se útil quando um amigo a chama para desabafar, ela gosta de falar, mas na maioria das vezes só ouve, as vezes ela só te abraça, porquê muitas vezes não são de palavras que se precisa, ela entende seu silêncio e te convida para uma dança só com um olhar, ela gosta de livros e páginas amareladas, tem uma mania de não inclinar muito as páginas do livro para que não fiquem entre-abertos, tem amigos, e sempre aparece alguém para conversar com ela, mas, mesmo quando lhe dão um pouco de atenção, ela tem suas carências, vazios, e uma dose de "está faltando isso na minha vida", ela não sabe bem o que é, na verdade sabe, mas tem receio de pronunciar e pensar sobre, a falta que ela tem á persegue à 17 longas primaveras, e até hoje ela não sabe o porquê disso, já se passaram, se passam tanto tempo e ela não elimina essa "falta", talvez seja porquê ela sempre acreditou nos livros e seus heróis" romantivolucionistas", encontra refúgio nos livros, e é encantador a forma como seus olhos se perdem entre cada parágrafo, e o sorriso frouxo que deixa estampado quando lê, ela não é muito de sorrir, e meu caro se ela sorrir por longos segundos com olhos que te deixam sem jeito, pode ter certeza de que você está no coração dela, ela contém tanta coisa, tanto mistério, tanto afeto, que dizer que ela é diferente não é o suficiente, não que ela seja perfeita, jamais, ela tem uma verdade que poucos conseguem perceber, na verdade poucos se interessam em descobrir, olhar através da sua carcaça de humana, uma tarefa difícil por sinal, por muitas vezes nem ela consegue se olhar através de si mesma, é como se ela fosse o final do Poema de Vinicius de Moraes,
" A mulher que passa
Que fica e passa, que pacifica 
Que é tanto pura como devassa 
Que bóia leve como a cortiça 
E tem raízes como a fumaça."

Tamires Salles M.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sintonia...

Eu preciso de você
Quando precisar de mim
Fizemos um começo
Sem nos preocupar com o fim


Você sabe quem eu sou
E eu só sei que sou
Não nasci por engano
E enganado não estou


Tenho vários ao meu lado
Poucos são os que estão comigo
O que ser quando crescer?
Vou crescer pra poder saber.

E até lá irei de encontro a ti
nessa estrada sem direção
o brilho do sol é quem há de me guiar
Peço a Deus que cuide de mim
e cuide de ti também
meu bem querer
querer-te é o meu bem

Não sei o que o mundo quer de mim
não sei qual será minha sentença 
não importa o que aconteceu 
ganhei como experiência.

E se de longe eu estiver
não fiques em desespero
estarei contigo 
pois meu amor é único e derradeiro.


                                           Leonardo Santana Jorge e Tamires Salles M.

Desventurada...

Sou cheia de encontros 
E desencontros
Venturas e desventuras
Amores e desamores
“Sou tão cheia de tudo, que não tenho nada." 
                                                                     
                                                                    Tamires Salles Moraes

Que será, será...

Que minhas loucuras
sejam o reflexo das atitudes
que nunca tomei
Que minhas frustrações
sejam uma porta
para um abrigo eterno
Que meus medos
sejam passageiros
Que as palavras
que se formam em meus lábios
sejam minha alma
clamando por socorro
Que o amor que guardo
seja libertado
Que será será
Que seja!

Tamires Salles Moraes

Culto de Amor...

"Procuro me desarmar
Ando em busca de paz
Respondo a vontade do céu
Sentimentos. Não preciso de provas
União para você, ô sim
Não fale nada
A verdade vem no seu beijo
Você nas minhas mãos, eu juro que não tenho medo

União para você, ô sim
Não fale nada
A verdade vem no seu beijo
Você nas minhas mãos, eu juro que não tenho medo
Eu não tenho medo..."
Edgard Scandurra

Aqueles olhos nus...

Nunca havia me sentido tão bem em toda minha existência
Pela primeira vez pude sentir o quão bom é ter a companhia de alguém
a calma interior e uma dose exagerada de felicidade
que não canso de repetir, 
Eu sempre fui dos que davam uma passo à frente
e dois para trás
Dos que estendiam a mão 
mas que protegia o rosto 
Se entregar nunca fez parte da minha vida
 Nunca fui de me render 
Isso soava como uma ameaça 
Os precipícios e barrancos sempre foram extensos e traiçoeiros 
e ainda estou superando alguns 
Mas foi só você me aparecer 
para eu aparecer 
Eu me encontrei sem ao menos me perder
E enxergo em você uma estrada longa que parece não ter fim 
Os precipícios não me causam tanto temor como antes 
Você despertou em mim uma coragem 
esquecida em um baú com teias-de-aranhas
Vou de encontro a ti do lugar mais distante 
só para ver aqueles teus olhos nus e crus 
que causam-me tremor
 a-nossa-relação-sem-nome é um mistério 
Você é um labirinto de mil entradas meu bem 
E não canso-me de tentar lhe desvendar
Quero descobrir mais dessa sua verdade 
eu juro que que não tenho medo 
e espero que você também não...

Tamires Salles Moraes

Em um dia qualquer

Eu só queria saber, como fazer para acabar com esse vazio interno, eu poderia comer algo, mas não resolveria, eu queria saber calar o que grita dentro de mim, mas estou muda e não consigo, talvez eu esteja faminta por ti meu bem, talvez esteja louca para sussurrar o teu nome, ou pior estou te querendo demais, demasiadamente, escandalosamente, mesmo que não “pareça” eu sonho contigo, sonho com aquele nosso beijo, que por desventura nunca aconteceu, não conheço seus lábios e só pude sentir o teu abraço raramente, já lhe destinei beijos por olhares e toques por sorriso, sinto uma necessidade absurda em cuidar de ti, mesmo que não saiba, você é meu pequeno homem, me pequeno beija-flor, meu pequeno bem querer, e eu te quero, nesse mundo os corações batem mais devagar e quase não se tem sinal de amor, mas podemos nos acolher um no outro, e dividir o inverno, o verão, a Primavera, todas as estações, basta um sinal teu meu bem, que irei correndo te encontrar, em um dia qualquer, numa esquina, em uma rua estreita, ou uma praça, só permita-me te encontrar...

Tamires Salles Moraes

Dê companhia a sua solidão...


Pessoas ajudam pessoas
Só Deus sabe da carência da humanidade
Cidades cheias de vazios 
Almas que cambaleiam e tropeçam 
Que precisam de uma mão estendida
Anjos te corações embriagados 
por doses demasiadas de solidão
Ninguém precisa ficar sozinho
uma canção para dar voz ao seu estado de espirito
Em que estado você está?
Pessoas de corações com baixa temperatura
Queria poder não pensar tanto
isso resolveria muita coisa
Sabedoria ao extremo faz ficar em psicose 
Estenda sua mão, deixe-me segura-las
Dê uma volta na cidade
Dê de presente a alguém a linda curva do teu sorriso
Empreste o calor do teu abraço
sem se preocupar em quando irão devolve-lo
dizem que amar é ser tolo
então que eu morra de pura tolice.

domingo, 16 de setembro de 2012


Bons ventos
Onde é que tu estás?
Estou tão perdida,
Preciso de ti para me embalar
Ó bons ventos onde é que tu estás?
Estou carente de bons fluidos
E de uma dose de bem estar
Ó bons ventos
Ouça a minha súplica
Sou apenas uma alma sem embalo
Querendo se encorajar!

Tamires Salles M.

Não derrube árvores, derrube a ignorância e a soberba. 
"Esquece tudo e vem passar comigo essa madrugada tão fria"...

Mas que nada...

Eu Nada era...
Nada para sentir
Nada para falar
Nada para lutar
Nada para desistir
Nada para cantar
Nada para pensar
Nada para comemorar
Nada para sorrir muito menos para chorar
Eu era um junção de nadas
que se tornava muita coisa
Um nada com nada para faltar.

Tamires Salles M

Porquê pelos meus cálculos 1+1=3 a 4 à quantos quiser. 

A menina do cabelo azul

Garota meio crédula,
 até demais
acreditava que existia um outro mundo
 um paralelo diferente do que vivia realmente
 todos os dias olhava o céu,
na sacada de sua casa,
 uma bela vista por sinal
 ela contava estrelas
  contornava a lua com as pontas do dedo
 e sempre dava um suspiro longo
 quando percebia
que já havia perdido
 as contas de quantas estrelas havia na imensidão do céu,
 sonhava com o dia que conheceria o segundo mundo,
 na imaginação dela tudo lá eram de diferentes cores,
 as casas eram listradas e haviam muitas pessoas com cabelos diferentes,
 cada uma com a sua cor preferida,
 e ela por ventura já havia colorido o cabelo,
seus fios azulados à deixavam mais diferente do que já era de costume,
uma dia perguntaram à ela "o que quer ser quando crescer"?
Disse ela confiante:
"Quero ser presidente do Segundo mundo,
quero cuidar das pessoas de lá,
quero ensina-las muitas coisas e aprender com elas também.
" O sonho da pequena era grande e a sua imaginação a tornava maior ainda,
ela nunca havia sentido o amor, mas sabia que estava mais próxima dele, nunca deixava de contornar a lua, e sempre fazia uma curva de sorriso no centro dela, ela dizia que gostava de fazer a lua sorrir.

T.S.M
Não sei o que se passa aqui dentro do meu ser, é uma junção de desespero e serenidade, mas seja lá o que for, eu gosto de sentir isso, por você.